quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Psicóloga diz poder "curar" homossexuais




Aceitar as diferenças e entender as variações da sexualidade são traços comuns das sociedades contemporâneas civilizadas. A psicóloga Rozângela Alves Justino, 50, faz exatamente o contrário. Formada em 1981 pelo Centro Universitário Celso Lisboa, do Rio de Janeiro, com especialização em psicologia clínica e escolar, ela considera a homossexualidade um transtorno para o qual oferece terapia de cura. Na semana passada, foi censurada publicamente pelo Conselho Federal de Psicologia (formado, segundo ela, por muitos homossexuais "deliberando em causa própria") e impedida de aceitar pacientes em busca do "tratamento". Solteira, dedicada à profissão e fiel da Igreja Batista, Rozângela diz que ouviu um chamado divino num disco de Chico Buarque e compara a militância homossexual ao nazismo. Só se deixa fotografar disfarçada, por se sentir ameaçada, e faz uma defesa veemente de suas opiniões.

A senhora acha que os homossexuais sofrem de algum distúrbio psicológico?


O Conselho Federal de Psicologia não quer que eu fale sobre isso. Estou amordaçada, não posso me pronunciar. O que posso dizer é que eu acho o mesmo que a Organização Mundial de Saúde. Ela fala que existe a orientação sexual egodistônica, que é aquela em que a preferência sexual da pessoa não está em sintonia com o eu dela. Essa pessoa queria que fosse diferente, e a OMS diz que ela pode procurar tratamento para alterar sua preferência. A OMS diz que a homossexualidade pode ser um transtorno, e eu acredito nisso.


O que é não estar em sintonia com o seu eu, no caso dos homossexuais?

É não estar satisfeito, sentir-se sofrido com o estado homossexual. Normalmente, as pessoas que me procuram para alterar a orientação sexual homossexual são aquelas que estão insatisfeitas. Muitas, depois de uma relação homossexual, sentem-se mal consigo mesmas. Elas podem até sentir alguma forma de prazer no ato sexual, mas depois ficam incomodadas. Aí vão procurar tratamento. Além disso, transtornos sexuais nunca vêm de forma isolada. Muitas pessoas que têm sofrimento sexual também têm um transtorno obsessivo-compulsivo ou um transtorno de preferência sexual, como o sadomasoquismo, em que sentem prazer com uma dor que o outro provoca nelas e que elas provocam no outro. A própria pedofilia, o exibicionismo, o voyeurismo podem vir atrelados ao homossexualismo. E têm tratamento. Quando utilizamos as técnicas para minimizar esses problemas, a questão homossexual fica mínima, acaba regredindo.

Há estudos que mostram que ser gay não é escolha, é uma questão constitutiva da sexualidade. A senhora acha mesmo possível mudar essa condição?

Cada um faz a mudança que deseja na sua vida. Não sou eu a responsável pela mudança. Conheço pessoas que deixaram as práticas homossexuais. E isso lhes trouxe conforto. Conheço gente que também perdeu a atração homossexual. Essa atração foi se minimizando ao longo dos anos. Essas pessoas deixaram de sentir o desejo por intermédio da psicoterapia e por outros meios também. A motivação é o principal fator para mudar o que quiser na vida.

A senhora é heterossexual?


Sou.

Pela sua lógica, seria razoável dizer que, se a senhora quisesse virar homossexual, poderia fazê-lo.


Eu não tenho essa vivência. O que eu observei ao longo destes vinte anos de trabalho foram pessoas que estavam motivadas a deixar a homossexualidade e deixaram. Eu conheço gente que mudou a orientação sem nem precisar de psicólogo. Elas procuraram grupos de ajuda e amigos e conseguiram deixar o comportamento indesejado. Mas, sem dúvida, quem conta com um profissional da área de psicologia tem um conforto maior. Eu sempre digo que é um mimo você ter um psicólogo para ajudá-lo a fazer essa revisão de vida. As pessoas se sentem muito aliviadas.

Esse alívio não seria maior se a senhora as ajudasse a aceitar sua condição sexual?

Esse discurso está por aí, mas não faz parte do grupo de pessoas que eu atendo. Normalmente, elas vêm com um pedido de mudança de vida.

Se um homem entrar no seu consultório e disser que sabe que é gay, sente desejo por outros homens, só precisa de ajuda para assumir perante a família e os amigos, a senhora vai ajudá-lo?

Ele não vai me procurar. Eu escolho os pacientes que vou atender de acordo com minhas possibilidades. Então, um caso como esse, eu encaminharia a outros colegas.

Não é cruel achar que os gays têm alguma coisa errada?

O que eu acho cruel é ser uma profissional que quer ajudar e ser amordaçada, não poder acolher as pessoas que vêm com uma queixa e com um desejo de mudança. Isso é crueldade. Eu estou me sentindo discriminada. Há diversos abaixo-assinados de muitas pessoas que acham que eu preciso continuar a atender quem voluntariamente deseja deixar a atração pelo mesmo sexo.

Por que a senhora acha que o Conselho Federal de Psicologia está errado e a senhora está certa?


Há no conselho muitos homossexuais, e eles estão deliberando em causa própria. O conselho não é do agrado de todos os profissionais. Amanhã ele muda. Eu mesma posso me candidatar e ser presidente do Conselho de Psicologia. Além disso, esse conselho fez aliança com um movimento politicamente organizado que busca a heterodestruição e a desconstrução social através do movimento feminista e do movimento pró-homossexualista, formados por pessoas que trabalham contra as normas e os valores sociais.

Gays existem desde que o mundo é mundo. Aparecem em todas as civilizações. Isso não indica que é um comportamento inerente a uma parcela da humanidade e não deve ser objeto de preconceito?

Olha, eu também estou sendo discriminada. Estou sofrendo preconceito. Será que não precisaria haver mais aceitação da minha pessoa? Há discriminação contra todos. Em 2002, fiz uma pesquisa para verificar as violências que as pessoas costumam sofrer, e o segundo maior número de respostas foi para discriminação e preconceito. As pessoas são discriminadas porque têm cabelo pixaim, porque são negras, porque são gordas.

Você nunca foi discriminada?
Não como os gays são.
Não? Nunca ninguém a chamou de nariguda? De dentuça? De magrela?
O que quero dizer é que as pessoas que estão homossexuais sofrem discriminação como todas as outras. Eu tenho trabalhado pelos que estão homossexuais. Estar homossexual é um estado. As pessoas são mulheres, são homens, e algumas estão homossexuais.

Isso não é discriminação contra os que são homossexuais e gostam de ser assim?


Isso é o que você está dizendo, não é o que a ciência diz. Não há tratados científicos que digam que eles existem. Eu não rotulo as pessoas, não chamo ninguém de neurótico, de esquizofrênico. Digo que estão esquizofrênicos, que estão depressivos. A homossexualidade é algo que pode passar. Há um livro do autor Claudemiro Soares que mostra que muitas pessoas famosas acreditam que é possível mudar a sexualidade. Entre eles Marta Suplicy, Luiz Mott e até Michel Foucault, todos historicamente ligados à militância gay.

Quantas pessoas a senhora já ajudou a mudar de orientação sexual?

Nunca me preocupei com isso. Psicólogo não está preocupado com números. Eu vou fazer isso a partir de agora. Vou procurar a academia novamente. Vou fazer mestrado e doutorado. Até hoje, eu só me preocupei em acolher pessoas.

O que a senhora faria se tivesse um filho gay?

Eu não teria um filho homossexual. Eu teria um filho. Eu iria escutá-lo e tentaria entender o que aconteceu com ele. Os pais devem orientar os filhos segundo seus conceitos. É um direito dos pais. Olha, eu quero dizer que geralmente as pessoas que vivenciam a homossexualidade gostam muito de mim. E também quero dizer que não sou só eu que defendo essa tese. Apenas estou sendo protagonista neste momento da história.

A senhora se considera uma visionária?


Não. Eu sou uma pessoa comum, talvez a mais simplesinha. Não tenho nenhum desejo de ficar famosa. Nunca almejei ir para a mídia, ser artista, ser fotografada.

A senhora já declarou que a maior parte dos homossexuais é assim porque foi abusada na infância. Em que a senhora se baseou?


É fato que a maioria dos meus pacientes que vivenciam a homossexualidade foi abusada, sim. Enquanto nós conversamos aqui, milhares de crianças são abusadas sexualmente. Os estudos mostram que os abusos, especialmente entre os meninos, são muito comuns. Aquelas brincadeiras entre meninos também podem ser consideradas abusos. O que vemos é que o sadomasoquismo começa aí, porque o menino acaba se acostumando àquelas dores. O homossexualismo também.

A senhora é evangélica. Sua religião não entra em atrito com sua profissão?


Não. Sou evangélica desde 1983. Nos anos 70, aconteceu algo muito estranho na minha vida. Eu comprei um disco do Chico Buarque. De um lado estavam as músicas normais dele. Do outro, em vez de tocar Carolina, vinha um chamamento. Eram todas canções evangélicas. Falavam da criação de Deus e do chamamento da ovelha perdida. Fui tentar trocar o LP e, na loja, vi que todos os discos estavam certinhos, menos o meu. Fiquei pensando se Deus estava falando comigo.

O espírito cristão não requer que os discriminados sejam tratados com maior compreensão ainda?

Se eu não amasse as pessoas que estão homossexuais, jamais trabalharia com elas. Até mesmo os ativistas do movimento pró-homossexualismo reconhecem o meu amor por eles. Sempre os tratei muito bem. Sempre os cumprimentei. Na verdade, eles me admiram.

Por que a senhora se disfarça para ser fotografada?


Um dos motivos é que eu não quero entrar no meu prédio e ter o porteiro e os vizinhos achando que eu tenho algum problema ligado à sexualidade. Além disso, quero ser discreta para proteger a privacidade dos meus pacientes. Por fim, há ativistas que têm muita raiva de mim. Eu recebo vários xingamentos; eles me chamam de velha, feia, demente, idiota. Trabalho num clima de medo, clandestinamente, porque sou muito ameaçada. Aliás, estou fazendo esta entrevista e nem sei se você não está a serviço dos ativistas pró-homossexualimo. Eu estou correndo risco.


Que poder exatamente a senhora atribui a esses ativistas pró-homossexualismo?


O ativismo pró-homossexualismo está diretamente ligado ao nazismo. Escrevi um artigo em que mostro que os dois movimentos têm coisas em comum. Todos os movimentos de desconstrução social estudaram o nazismo profundamente, porque compartilham um ideal de domínio político e econômico mundial. As políticas públicas pró-homossexualismo querem, por exemplo, criar uma nova raça e eliminar pessoas. Por que hoje um ovo de tartaruga vale mais do que um embrião humano? Por que se fala tanto em leis para assassinar crianças dentro do ventre da mãe? Porque existe uma política de controle de população que tem por objetivo eliminar uma parte significativa da nação brasileira. Quanto mais práticas de liberação sexual, mais doenças sexualmente transmissíveis e mais gente morrendo. Essas políticas públicas todas acabam contribuindo para o extermínio da população. Essas pessoas que estão homossexuais estão ligadas a todo um poder nazista de controle mundial.

Não há certo exagero em comparar a militância homossexual ao nazismo?


Bom, se você acha que isso pode me prejudicar, então tire da entrevista. Mas é a realidade.

Fonte:http://ai5piaui.com/noticia.php?id=17262

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Raízes Profundas


É bastante comum ouvir pessoas maduras afirmarem que sofreram muito em sua infância e que de maneira alguma desejam o mesmo para seus filhos.

Recordam terem iniciado cedo a trabalhar para auxiliarem nas despesas do lar. Lembram-se de certas privações, recordam e recordam, com certa amargura, o que lhes constituiu dificuldades e reafirmam que tudo farão para que seus filhos não tenham que experimentar nada daquilo.

Por isso mesmo, crescem os meninos e meninas sem maiores problemas. Vão a escola, levam dinheiro para o lanche, nem sempre saudável, viajam nas férias, brincam e folgam. Nada lhes falta, para que não sofram, para que não se frustem, para que não tenham decepções. Nada em esforço lhes é exigido. Nada que desejem deixam de receber.

Vendo tantos pais assim procederem, lembramos de um médico americano que, além de curar os seus doentes, tinha por objetivo transformar o terreno de sua casa em uma floresta. Vivia a plantar árvores. Bastava retornar do hospital e das visitas rotineiras aos pacientes, para se enfiar em um macacão, colocar um chapéu de palha à cabeça, luvas nas mãos e sair para o quintal.

O inusitado não era o passatempo do médico mas a forma como ele tratava certas árvores novas. Ele não as regava. Dizia que regar as plantas fazia com que crescessem com raízes superficiais. As árvores que não eram regadas, dizia ele, necessitavam criar raízes profundas para procurar umidade. Isto lhes concedia maior firmeza a fim de enfrentarem os ventos frios e as tempestades.

Nossos filhos, como as árvores do bom médico, talvez encontrem adversidades na vida. Talvez tenham que percorrer caminhos difíceis, enfrentar ventos frios de solidão, de desesperança. Eles também necessitam criar raízes profundas, de modo que não sejam abatidos quando as chuvas caírem e os ventos soprarem fortes, tentando derrubá-los. Aprendamos a dizer não, vez ou outra, a fim de que aprendam que nem tudo lhes estará sempre disponível. Mesmo que não seja necessário, confiemos a eles tarefas, exigindo que as executem, para treinarem responsabilidade.

Em síntese, ensinemos nossos filhos a andarem sozinhos, a enfrentarem problemas, a lutarem pelo que desejam, para que enrijeçam o caráter e cresçam fortes como o carvalho e sejam firmes como a rocha! Foram adversidades que provavelmente fizeram de você esse forte adulto de hoje. O que parecia ruim, foi bom.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Uso de celular poderá ajudar no combate ao mal de Alzheimer

Os testes foram feitos com ratos de laboratório. Os pesquisadores criaram uma situação equivalente a uma pessoa falando no celular por duas horas, todos os dias, durante nove meses.



Uma pesquisa divulgada hoje por cientistas americanos indica que o uso de celular poderá - no futuro - ajudar no combate ao mal de Alzheimer, uma forma de demência. Quem explica é a correspondente Giuliana Morrone.

Os testes foram feitos com ratos de laboratório. Um grupo foi modificado geneticamente para desenvolver, no cérebro, placas da proteína beta-amilóide, apontada como a principal causadora da doença de Alzheimer. O outro grupo era de ratos saudáveis.

Antes da pesquisa, todos passaram por exames de memória: tinham que decorar o caminho de um labirinto. As gaiolas com os ratos foram dispostas em volta de uma antena que transmitia ondas eletromagnéticas, as mesmas geradas pelo telefone celular.

Os pesquisadores criaram uma situação equivalente a uma pessoa falando no celular por duas horas, todos os dias, durante nove meses.

Com a exposição às ondas eletromagnéticas, os ratos que tinham as placas da proteína causadora do Alzheimer, mas que ainda não tinham desenvolvido a doença, não perderam a memória. E os que já mostravam sintomas de demência, se recuperaram.

O estudo não foi feito com humanos, mas os cientistas ficaram muito empolgados com o que descobriram. Para eles, o desafio agora é determinar os níveis exatos de ondas eletromagnéticas que poderiam acabar com as placas da proteína causadora do Alzheimer nas pessoas.

Nos ratos, os resultados surgiram depois de meses de pesquisa, sugerindo que efeitos semelhantes em humanos levariam anos para aparecer.

Globo.com

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Misantropia

Apesar de ser um termo pouco conhecido das pessoas cada vez mais comum encontrar pessoas que sofram de misantropia.

Um exemplo para compreendermos é o personagem Dr. House que se destaca pelo seu distanciamento dos pacientes e do seu comportamento anti Social.




Mas o que é Misantropia?

Misantropia é a aversão ao ser humano e à natureza humana no geral. Também engloba uma posição de desconfiança e tendência para antipatizar com outras pessoas. Um misantropo é alguém que odeia a humanidade de uma forma generalizada. A palavra vem do grego misanthropía,[1] a junção dos termos μίσος (ódio) e άνθρωπος (homem, ser humano). O termo também é aplicável a todos aqueles que se tornam solitários por causa dos sentimentos acima mencionados (de destacar o elevado grau de desconfiança que detêm pelas outras pessoas em geral).
[editar] O misantropo
Wikcionário

* É uma pessoa que tem aversão ao convívio social, adora viver em isolamento.
* Aquele que não mostra preocupação em se dar com as outras pessoas, de ter uma vida social preenchida - tendência a ter uma pouca ou praticamente inexistente vida social.
* Estado de reclusão que alguns indivíduos escolhem para viver.

Formas de misantropia mais comuns

Os misantropos expressam uma antipatia geral para com a humanidade e a sociedade, mas geralmente têm relações normais com indivíduos específicos (familiares, amigos, companheiros, por exemplo). A misantropia pode ser motivada por sentimentos de isolamento ou alienação social, ou simplesmente desprezo pelas características prevalecentes da humanidade/sociedade.

A misantropia não implica necessariamente uma atitude bizarra em relação à humanidade. Um misantropo não vive afastado do mundo, apenas é reservado (introvertido/timido fundamentalmente) e, é precisamente por este facto que é habitual serem poucos os seus amigos ou pessoas que estabeleçam um vinculo afetivo. Olham para todas as pessoas com uma desconfiança, é frequente serem feitos "juízos de cálculo" de cada um que se aproxime, embora muitas vezes não o demonstrem. São pessoas que não gostam de grande agitação ao seu redor, pois não se sentem bem diante de muita gente, preferindo ficar em casa a sair para locais de diversão (indisposição para ir a lugares com muita gente, por exemplo, baladas/festas, o que invariavelmente faz da pessoa uma caseira convicta). Podem ocorrer frequentes mudanças de humor: ora feliz, ora melancólico, o termómetro do estado de espírito fica louco, oscilando constantemente (poucas são as pessoas que vêem este seu aspecto, normalmente as mais próximas). Normalmente são muito perfeccionistas no que gostam de fazer e no que se comprometem a fazer. É muito frequente destacarem-se nas áreas em que estão inseridos (as que eventualmente têm um á vontade), pois dedicam grande parte do seu tempo ao trabalho. A misantropia costuma aparecer desde logo durante a infância em crianças tímidas, introvertidas e caladas que têm dificuldades em fazer amigos, nomeadamente na escola, preferindo muitas vezes ficarem sozinhas. Com o passar dos anos, tendem a ser bastante sarcásticos/irónicos nas observações que fazem (pode-se dizer que em parte a grande timidez é disfarçada por estas duas características) - têm uma interpretação muito própria de tudo aquilo que vêem e de tudo aquilo que lhes é dito pelas outras pessoas, sendo bastante observadores e atentos ao que os rodeia embora, muitas vezes, não o pareça.

Uma das explicações mais consistentes para esta aversão social deriva do facto de darem bastante relevância aos aspectos negativos que constatam nas pessoas ou simplesmente terem medo que estas os desiludam, daí as evitarem. Têm uma forte sensibilidade ficando extremamente afectados com tudo o que os rodeia (mesmo que muitas vezes não estejam envolvidos directamente) daí ser muito fácil, ao longo da vida, passarem por várias depressões.

Expressões evidentes de misantropia são comuns em sátira e comédia, embora a intensa seja geralmente rara. Expressões mais subtis são mais comuns, especialmente para mostrar as faltas/falhas na humanidade e sociedade.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Misantropia

Baixar a serie completa e dublada do Dr. House e compreender um pouco mais, clique aqui

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Frase para pensar

"A anunciação de um novo ano é o momento de refletirmos sobre o quanto realizamos para a construção do futuro. É com esse espírito de realização que nosso entusiasmo com a vida se renova". Anônimo

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Frase para pensar

"Viva tudo o que puder; não fazê-lo é um erro. Não importa muito o que você faz, especialmente, desde que você desfrute a sua vida. Se não teve isso, que é que você teve?... O que se perde está perdido, fique certo disso... O momento certo é qualquer momento do qual alguém ainda tenha a sorte de dispor". Henry James, 1903 (Os Embaixadores)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Filme Número 23 - Transtorno Delirante X Esquizofrênico Parnóide

Analisar filmes, pode ser um ótimo instrumento para estudantes aprender a diagnosticar e se familiarizar com os termos da psicopatologia.

Número 23 é um exemplo disto, excelente filme, filme com bom enredo e um suspense que te envolve até o final da trama. Recomendo a todos assistir, ler e estudar sobre o assunto.

Abaixo do texto há as formas de diagnosticar Transtorno Delirantes e Esquizofrenia parnoide.





Título Original: The Number 23
Tempo: 95 minutos
Cor: Colorido
Ano de Lançamento: 2007 - EUA - Estréia dia 23 de março de 2007.
Recomendação: 14 anos





Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps



Este era para ser o terceiro filme que escolhemos para este site. Tinhámos 3 dramas e 2 comédias =32 = 23 ao contrário. Acho que era um sinal para incluírmos este filme no site com urgência. Se vocês gostarem é sinal de que o número estava certo.

Jim (ou Jimmy) Carrey se consagrou em Hollywood através das comedias chamadas “pastelão”, e seu maior talento era a grande habilidade de fazer caretas. Sua semelhança física com o lendário Jerry Lewis o tornaram agradável aos olhos da antiga geração, ao mesmo tempo que a temática se seus filmes eram direcionadas para os novos adolescentes da América.

Inúmeros “zeros” acrescidos ao seu cachê, Carrey passou a fazer filmes mais “complexos”, ou, como dizem alguns críticos, com “algum conteúdo”. Começando com o filosófico “O Show de Truman” (The Truman Show, 1998) até o mais recente “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Eterrnal Sunshine Of The Spotless Mind, 2004 ), temos agora mais um filme, dele, que pode ser analisado sob o ponto de vista psi. 23 nos apresenta um enredo, em primeira pessoa, de um belíssimo caso de psicose, em clássica progressão.

Carrey interpreta dois personagens. Walter Sparrow na vida real e Fingerling, em sua imaginação. Tem uma pacata e simples vida, até que alguma coisa ou algo (fator desencadeante) desperta um quadro “estranho”.

Sempre que você conversar com alguém que teve contato com pacientes com estes quadros, vai perceber que eles sempre mencionam que a pessoa comecou a “ficar estranha”. Ela não muda de um dia para outro. Não “dorme bem e acorda diferente”. É por isso que é importante, em casos histórico familiar, ficarem atentos a alguns sinais iniciais, pois pesquisam apontam para grande influência genética em alguns casos.

Um dos pontos interessantes é notar o início do seu “delírio”. Como estamos falando com de uma Psicose, de novo, um Ego bem fragilizado, que “corta” com a realidade para viver em um surto. Isso que dizer, em termos mais gerais e simples, que a “nossa” realidade é muito angustiando e gera sofrimento a estas pessoas. Esse processo está longe de ser algo consciente. Como seu Ego é bastante fragilizado, semelhante ao de uma criança no inicio do desenvolvimento psíquico, lá naquelas tão faladas “fases” descritas brilhantemente por Freud, esse nosso “mundo” amedronta esta pessoa. Para fugir desse sofrimento, ele “corta” com a nossa realidade e recria uma outra, baseada em suas fantasias infantis

Apesar dos delírios serem um corte, eles expressam algo deste inconsciente, e por isso, conseguimos ter expressões através da arte, demonstrando que o inconsciente, onde temos a criatividade, consegui ser expresso. Voce já parou para pensar que muitos artistas eram tido como “loucos” em sua época? O que diferencia então um “louco de um gênio”? A aplicabilidade de suas idéias? Da Vinci era um louco ou um gênio? Ele criou projetos de coisas que aparentemente eram absurdas, mas que se mostraram muito aplicáveis anos depois. Um surto psicótico expressa muitas coisas contidas no inconsciente e que não temos acesso em todo o momento, apenas em surtos, análise, sonhos, etc. Assim, nesses surtos existe muito do que chamamos de criatividade, pois é no inconsciente freudiano que ela reside, remeterá a constante discussão no que tange a potência pulsional em seu pólo de criação.

Voltando então aos sintomas deste quadro, acreditamos serem muito importantes os relatos destes pacientes, que devem ser entendidos pelo profissional. Vale ressaltar que em Psicopatologia existe uma grande diferença entre Sinais e Sintomas e que a maneira como são descritos os sintomas é de grande importância para o entendimento do quadro clínico.



Muitos perguntam como lidar com um surto na clínica. Confrontar, contestar, racionalizar ou usar da nossa realidade para a contrapor ou isso não é uma indicação técnica? Se você assim o fizer, correrá o risco deste paciente abandonar o acompanhamento e nunca mais retornar.

Existem casos nos quais os pacientes já foram atendidos e medicados por um psiquiatra, mas a medicação ainda não fez efeito ou aquele profissional está adequando a melhor medicação. Nesses, e em outros casos, é preciso “Viajar na maionese”. Sim, com quem relata um surto, você tem que embarcar na história dele e resgatar o saudável. Todo surto ou corte com a realidade possui um ponto saudável a partir do qual é possível sim fazer um resgate. O surto também pode ser entendido como uma tentativa de se ater a nossa realidade, de uma maneira que ela se torne suportável a este Ego. Por maior que seja o corte há uma pequena parte que se mantêm em contato com a realidade e o trabalho psicoterápico está em identificar que parte é essa e iniciar o trabalho por ali. Para isso, você precisa entender, catalogar e identificar esse sintoma....não basta embarcar, tem que saber “mapear”. De qualquer forma o objetivo último será o de aumentar essa porção do ego e torná-lo capaz de lidar com o teste de realidade sem sucumbir.

Porém, não estamos vendo o mesmo quadro que o do filme.

Muitos se confundiram com este filme, acreditando que poderia ser um caso de Esquizofrenia Paranóide, como no filme” Uma Mente Brilhante”. Muitos confundem a Esquizofrenia Paranóide com a Paranóia (Freud), também chamada da Transtorno Delirante. Uma dica simples e que pode ajudar no diagnostico diferencial está relacionada com a análise das “funções do Ego”. Os Delírios (surtos) mais “bizarros” estão relacionados com a Esquizofrenia, afinal, um Ego mais fragilizado, com defesas mais antigas, em uma fase lá no início.

No caso de Sparrow temos um delírio não bizarro. Ele começa a incomodar a vida, mas o sintoma vai consumindo aos poucos o paciente. Com certeza alguém já se sentiu assim. Na clínica, trabalhamos muito com a “reação” que o paciente provoca em “nós”(contra-transferência) e isso facilita a entender o psiquismo dele. É por isso que Psicólogos clínicos continuam sempre fazendo terapia e supervisão.

Ao ver Sparrow na televisão, sentiu qualquer reação negativa? É normal. Além de um bom ator, boa maquiagem e boa iluminação, ele tem “algo estranho” que incomoda a todos.

Diferentemente do Esquizofrênico, que se não tratado terá consequências sociais negativas, o paciente com Paranóia consegue até manter um nível de vida Social e suas funções intelectuais. Sparrow escolhe um tipo de vida pacato, longe de todos. Aqueles “excêntricos” da vida e das novelas.

Vale ressaltar que todos esses quadros, se bem acompanhados por um psiquiatra e com acompanhamento psicológico têm total condições de viver uma vida tranquila como qualquer outra pessoa. Grande parte do problema ainda reside no preconceito.

Aí voce fica confuso com o filme, pois “do nada” ele muda radicalmente. Ninguém consegue entender o que aconteceu...Tudo desencadeado por um simples livro, com uma idéia obsessiva pelo número 23 e suas combinações, como se uma maldição se abatesse sobre a realidade, controlada e conduzida por este numero mágico.

Reparem que nos surto dele não é tão simples assim, e nos deixa confuso. Sim, confuso porque ele também lembra aquele personagem do Jack Nicholson em “Melhor Impossível” (TOC). Mas tem diferenças sim.

Ao longo do filme as cenas se sobrepõem podendo haver confusão de quem é quem... se estamos assistindo a uma cena da realidade ou uma da ficção de Fingerling. Seus delírios de traição (em relação a sua esposa e um amigo da família) começam a se mesclar com a imaginação da ficção. Um exemplo clássico de Delírio de ciúmes[2]. Se entendermos que o “ciúmes[3]” é um sentimento complexo, que envolve tanto o pensamento quanto os sentimentos, podemos perceber que como as funções do Ego de Sparrow estão totalmente afetadas, este ciúmes é decorrente deste quadro patológico, ou seja, totalmente irreal, traz no fundo uma defesa contra os componentes homoeróticos de sua libido.

Quem quiser entender melhor sobre a psicodinâmica desses quadros, uma boa dica de leitura seria o que Freud escreveu em seu caso clássico chamado Schroeber, ali nesse texto, ele demonstrará toda a construção do delírio e os impulso presentes em uma formação de compromisso entre desejo e defesa que remeterão ao conjunto da libido, ao jogo das pulsões em busca da descarga.

Utilizando como base a Psicologia de Orientação Analítica (POA), com os conceitos de Psicopatologia e Psicodinâmica, fica fácil perceber que estamos lidando com um caso de Psicose. Há presença de confusão alucinatória (recriada a partir de suas fantasias e desejos) e Egossintonia (ausência de consciência do estado mórbido). Suas funções do Ego de Sensopercepção, Pensamento, Linguagem, Conduta e Afeto estão alteradas, apesar de sua Inteligência permanecer intacta.



Com essas informações, já podemos suspeitar de um caso de paranóia (DSM-IV-TR / 297.1 – Transtorno Delirante). Verificando o DSM-IV-TR, percebe-se que Walter satisfaz todos os critérios de diagnostico, recebendo a classificação do tipo PERSECUTÓRIO, onde a maldição do número 23 o persegue por toda a vida, não importando a lógica real temporal. Acredita que sua vida, e dos demais, é regida por esse número, que está sempre atrás dele, prestes a destruir sua vida. Há presença constante desta ameaça.

Os delírios do paranóide são mais “estruturados”[4] do que os delírios de um Esquizofrênico Paranóide[5]. Tanto que, sua esposa Agatha e seu filho Robin, passam a vivenciar seu delírio, acreditando, pelo menos no início, em sua obsessão gerada pelo livro. A estruturação do delírio chega a convencer aos menos despreparados, dado o nível de organização existente. Na atuação clínica, podemos referenciar em Lacan, que contribuiu para a diferenciação entre estes dois psicodiagnósticos quando identifica a crença delirante destes pacientes.[6]

Através destes delírios, Sparrow re-constrói seu mundo, ou seja, sua tentativa, não é “apenas” uma fuga da realidade, mas uma tentativa de reconstruí-la através da projeção ou ainda de sucessivas identificações projetivas.

As causas do transtorno de Walter podem ser explicadas de acordo com a abordagem utilizada, indo desde Freud (uma fantasia de desejo homossexual reprimido) até Kaplan (fator estressor significativo). A relação de Walter com suas figuras parentais não nos é apresentada com clareza, o que nos permite apenas inferir alguns comportamentos sobre seus pais, como um pai possivelmente autoritário, ocupando local de grande importância no psiquismo da criança, literalmente “roubando a cena” da figura materna, nesses primeiros e importantes anos de vida. (Vide Caso Schreber[7]). Assim como Freud escrevera, os sintomas do Paranóide são frutos da negação e repressão de impulsos homossexuais dirigidos a figura paterna.

É fácil nos deixarmos levar pela sua obsessão pelo número 23, e a partir daí pensar em um psicodiagnostico de Neurose Obsessiva. Entretanto, vemos nitidamente ao longo do filme que sua obsessão passa a fazer parte de um surto psicótico, mais completo e mais estruturado, havendo vivencia total dessa sintomatologia, o que já nos remete novamente a psicose. Devemos lembrar também, que assim como uma obsessão, o surto psicótico é uma tentativa de “esquecer” algo, mas apenas com um desdobramento diferenciado.

Ao terminar de ler este texto, anote as horas, + o dia, + a sua idade, e faça uma combinação aleatória. Se você conseguir chegar ao valor 23, ou algum dos seus múltiplos ou inversões, isso é um “sinal” de que você precisa assistir a esse filme. (risos)



Sugestão de leitura:

ELZIRIK, Cláudio, Psicoterapia de orientação analítica: teoria e prática. Porto Alegre: Artes Médicas;1989.

FREUD, Sigmund. Notas Psicanalíticas sobre um Relato Autobiográfico de um Caso de Paranóia. (1911). Obras completas, Ed. Imago: Rio de Janeiro, 1996

FENICHEL, O. Teoria psicanalítica das neuroses. 10 ed. São Paulo: Atheneu, 2004.

Erros de gravação no Filme Número 23

1. Na hora que Walter percebe que está atrasado e vai fechar a porta do seu furgão, ele estica sua mão para a frente, em vez de fazer isso para trás, onde a porta normalmente fica quando está aberta. Para quem trabalha com o caminhão, ele deveria se lembrar sempre como a porta fica quando está aberta.

2. Quando Walter vaiu tentar pegar o cachorro, ele se abaixa e coloca sua vara no chão na tomada de frente, depois do corte para a tomada de costas ele a coloca novamente no chão. Observe que na tomada de frente ele já levantou o braço e segurou a luva.

3. Quando o cachorro morde o braço de Walter é possível ver a proteção por baixo da camisa dele. Um enchimento que se dobra nitidamente.

4. Quando Agatha está esperando por Walter, ela aparece no meio da calçada sem nada à sua frente, depois do corte na tomada da calçada ela já aparece em outra posição folheando as revistas.


Mandem dicas de filmes para analisarmos juntos
até mais

TRANSTORNO DELIRANTE

Características Diagnósticas
A característica essencial do Transtorno Delirante é a presença de um ou mais delírios não-bizarros que persistem por pelo menos 1 mês (Critério A). Um diagnóstico de Transtorno Delirante não é dado se o indivíduo já apresentou um quadro sintomático que satisfazia o Critério A para Esquizofrenia (Critério B). Alucinações auditivas ou visuais, se presentes, não são proeminentes.

Alucinações táteis ou olfativas podem estar presentes (e ser proeminentes), se relacionadas ao tema do delírio (por ex., sensação de estar infestado com insetos, associada com delírios de infestação, ou a percepção de emitir odor fétido por um orifício corporal, associada com delírios de referência). Exceto pelo impacto direto dos delírios, o funcionamento psicossocial não está acentuadamente prejudicado, e o comportamento não é obviamente estranho ou bizarro (Critério C).

Se episódios de humor ocorrem concomitantemente com os delírios, sua duração total é relativamente breve, comparada com a duração total dos períodos delirantes (Critério D). Os delírios não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., cocaína) ou uma condição médica geral (por ex., doença de Alzheimer, lúpus eritematoso sistêmico) (Critério E).

Embora seja especialmente importante determinar se os delírios são bizarros para a distinção entre Transtorno Delirante e Esquizofrenia, este caráter bizarro pode ser difícil de julgar, especialmente entre diferentes culturas. Os delírios são considerados bizarros quando claramente implausíveis, incompreensíveis e não extraídos de experiências comuns da vida (por ex., a crença de um indivíduo de que um estranho retirou seus órgãos internos e os substituiu pelos de outra pessoa sem deixar quaisquer cicatrizes ou ferimentos).

Em comparação, os delírios não-bizarros envolvem situações que poderiam concebivelmente ocorrer (por ex., ser seguido, envenenado, infectado, amado à distância ou traído pelo cônjuge ou parceiro romântico).

O funcionamento psicossocial é variável. Alguns indivíduos podem parecer relativamente intactos em seus papéis interpessoais e ocupacionais. Em outros, o prejuízo pode ser substancial e incluir baixo ou nenhum funcionamento ocupacional e isolamento social.

Quando um fraco funcionamento psicossocial está presente no Transtorno Delirante, ele decorre diretamente das próprias crenças delirantes. Por exemplo, um indivíduo convencido de que será assassinado por "criminosos da Máfia" pode abandonar seu emprego e se recusar a sair de casa, exceto tarde da noite e apenas usando roupas diferentes de seus trajes habituais. Todo este comportamento é uma tentativa compreensível de evitar ser identificado e morto por seus supostos assassinos.

Em comparação, o fraco funcionamento na Esquizofrenia pode ser devido a sintomas tanto positivos quanto negativos (particularmente avolição). Similarmente, uma característica comum em indivíduos com Transtorno Delirante é a aparente normalidade de seu comportamento e aparência quando suas idéias delirantes não estão sendo questionadas ou postas em prática. Em geral, o funcionamentos social e conjugal estão mais propensos a sofrer prejuízos do que os funcionamentos intelectual e ocupacional.

Subtipos
O tipo de Transtorno Delirante pode ser especificado com base no tema delirante predominante:

Tipo Erotomaníaco. Este subtipo aplica-se quando o tema central do delírio diz respeito a ser amado por outra pessoa. O delírio freqüentemente envolve um amor romântico e união espiritual idealizada, ao invés de atração sexual.

A pessoa sobre a qual esta convicção é mantida geralmente detém uma posição social superior (por ex., uma pessoa famosa ou um superior no trabalho), mas pode ser um completo estranho. Os esforços para contatar o objeto do delírio (por telefonemas, cartas, presentes, visitas ou até mesmo vigilância) são comuns, embora ocasionalmente a pessoa mantenha seu delírio em segredo.

A maioria dos indivíduos com este subtipo em amostras clínicas consiste de mulheres; a maior parte dos indivíduos com este subtipo em amostras forenses são homens. Algumas das pessoas com o Tipo Erotomaníaco, particularmente os homens, entram em conflito com a lei em seus esforços no sentido de alcançar o objeto de seu delírio ou em tentativas desencaminhadas de "salvá-lo" de algum perigo imaginário.

Tipo Grandioso. Este subtipo aplica-se quando o tema central do delírio é a convicção de ter algum grande talento (irreconhecido) ou conhecimento ou de ser o autor de alguma descoberta importante. Com menor freqüência, o indivíduo pode ter o delírio de possuir um relacionamento especial com uma pessoa importante (por ex., de servir de consultor para o Presidente) ou de ser uma pessoa importante (sendo que neste caso a pessoa real pode ser considerada uma impostora).

Os delírios grandiosos podem ter um conteúdo religioso (por ex., a pessoa acredita ter uma mensagem especial oferecida por uma divindade).

Tipo Ciumento. Este subtipo aplica-se quando o tema central do delírio diz respeito a estar sendo traído pelo cônjuge ou parceiro romântico. Esta crença é injustificada e está baseada em inferências incorretas apoiadas por pequenas "evidências" (por ex., roupas em desalinho ou manchas nos lençóis), que são colecionadas e usadas para justificar o delírio.

O indivíduo com o delírio geralmente confronta seu cônjuge ou parceiro e tenta intervir na infidelidade imaginada (por ex., restringindo a autonomia do cônjuge ou parceiro, seguindo-o em segredo, investigando o amante imaginário ou agredindo o parceiro).

Tipo Persecutório. Este subtipo aplica-se quando o tema central do delírio envolve a crença de estar sendo vítima de conspiração, traição, espionagem, perseguição, envenenamento ou intoxicação com drogas, estar sendo alvo de comentários maliciosos, de assédio ou obstruído em sua busca de objetivos de longo prazo. Pequenos deslizes podem ser exagerados e se tornar o foco de um sistema delirante.

O foco do delírio freqüentemente se concentra em alguma injustiça que deve ser remediada pela ação legal ("paranóia querelante"), podendo a pessoa afetada envolver-se em repetidas tentativas de obter satisfação, apelando aos tribunais e outras agências governamentais.

Os indivíduos com delírios persecutórios com freqüência sentem ressentimento e raiva, podendo recorrer à violência contra aqueles que supostamente os estão prejudicando.

Tipo Somático. Este subtipo aplica-se quando o tema central do delírio envolve funções ou sensações corporais. Os delírios somáticos podem ocorrer de diversas formas. Os mais comuns envolvem a convicção de estar emitindo odor fétido através da pele, boca, reto ou vagina, de estar infestado com insetos sobre ou sob a pele, de abrigar um parasito interno; de que certas partes do corpo são (contrariamente a todas as evidências) malformadas ou feias, ou de que certas partes do corpo (por ex., o intestino grosso) não estão funcionando.

Tipo Misto. Este subtipo aplica-se quando não há predomínio de qualquer tema delirante.
Tipo Inespecificado. Este subtipo aplica-se quando a crença dominante no delírio não pode ser claramente determinada ou não está descrita entre os tipos específicos (por ex., delírios de referência sem um componente persecutório ou grandioso proeminente).

Características e Transtornos Associados
Problemas sociais, conjugais ou profissionais podem resultar das crenças delirantes do Transtorno Delirante. Idéias de referência (por ex., de que eventos aleatórios têm uma importância especial) são comuns em indivíduos com este transtorno. A interpretação desses eventos geralmente é consistente com o conteúdo de suas crenças delirantes.

Muitos indivíduos com Transtorno Delirante desenvolvem um humor irritável ou disfórico, que habitualmente pode ser compreendido com uma reação às suas crenças delirantes. Especialmente com os Tipos Persecutório e Ciumento, podem ocorrer acentuada raiva e comportamento violento. O indivíduo pode envolver-se em um comportamento litigioso, ocasionalmente levando a centenas de cartas de protesto a órgãos governamentais ou legais e muitas aparições em tribunais.

Dificuldades legais podem ocorrer no Transtorno Delirante, Tipo Ciumento e Tipo Erotomaníaco. Os indivíduos com Transtorno Delirante, Tipo Somático, podem submeter-se a exames e procedimentos médicos desnecessários. Deficiência auditiva, severos estressores psicossociais (por ex., imigração) e baixa situação sócio-econômica podem predispor um indivíduo ao desenvolvimento de Transtorno Delirante.

A ocorrência de Episódios Depressivos Maiores provavelmente é maior em indivíduos com Transtorno Delirante do que na população geral. Tipicamente, a depressão é relativamente leve e começa após o início das crenças delirantes proeminentes. O Transtorno Delirante pode estar associado com Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Transtorno Dismórfico Corporal e Transtornos da Personalidade Paranóide, Esquizóide ou Esquiva.

Características Específicas à Cultura e ao Gênero
A bagagem cultural e religiosa de um indivíduo deve ser levada em conta na avaliação da possível presença de Transtorno Delirante. Algumas culturas têm crenças amplamente mantidas e culturalmente aceitas, que poderiam ser consideradas delirantes em outros contextos. O conteúdo dos delírios também varia entre diferentes culturas e subculturas.

O Transtorno Delirante, Tipo Ciumento, provavelmente é mais comum em homens do que em mulheres, mas não parece haver uma grande diferença entre os gêneros na freqüência do Transtorno Delirante em geral.

Prevalência
O Transtorno Delirante é relativamente incomum nos contextos clínicos, e a maioria dos estudos sugere que o transtorno responde por 1-2% das baixas nos sistemas de internação em saúde mental. Ainda há informações precisas insuficientes sobre a prevalência deste transtorno na população, mas a melhor estimativa situa-se em torno de 0,03%.

Em vista de sua idade de aparecimento geralmente tardia, o risco de morbidade durante a vida pode estar entre 0,05 e 0,1%.

Curso
O início do Transtorno Delirante em geral se situa na fase intermediária ou tardia da idade adulta, mas pode ocorrer antes. O Tipo Persecutório é o subtipo mais comum. O curso é bastante variável. Especialmente no caso do Tipo Persecutório, o transtorno pode ser crônico, embora freqüentemente ocorram períodos de preocupação maior ou menor com as crenças delirantes.

Em outros casos, períodos de remissão completa podem ser seguidos por recaídas. Em outros casos, ainda, o transtorno apresenta remissão em alguns meses, sem recaída subseqüente. Algumas evidências sugerem que o Tipo Ciumento pode ter um prognóstico melhor do que o Tipo Persecutório.

Padrão Familial
Alguns estudos constataram que o Transtorno Delirante é mais comum entre parentes de indivíduos com Esquizofrenia do que seria esperado do mero acaso, enquanto outros estudos não encontraram qualquer relação entre Transtorno Delirante e Esquizofrenia.

Existem algumas evidências de que o Transtorno da Personalidade Esquiva e o Transtorno da Personalidade Paranóide podem ser especialmente comuns entre parentes biológicos em primeiro grau de indivíduos com Transtorno Delirante.

Diagnóstico Diferencial
O diagnóstico de Transtorno Delirante é feito apenas quando o delírio não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou de uma condição médica geral. Um delirium, uma demência e um Transtorno Psicótico Devido a uma Condição Médica Geral podem apresentar sintomas que lembram o Transtorno Delirante. Por exemplo, delírios simples de perseguição (por ex., "alguém entra em meu quarto à noite e rouba minhas roupas") na fase inicial da Demência do Tipo Alzheimer seriam diagnosticados como Demência [288]do Tipo Alzheimer, Com Delírios.

Um Transtorno Psicótico Induzido por Substância, especialmente devido a estimulantes como anfetamina e cocaína, pode ter sintomatologia idêntica ao Transtorno Delirante, mas geralmente pode ser diferenciado pela relação cronológica entre o uso da substância e o início ou a remissão das crenças delirantes.

O Transtorno Delirante pode ser diferenciado da Esquizofrenia e do Transtorno Esquizofreniforme pela ausência de outros sintomas característicos da fase ativa da Esquizofrenia (por ex., alucinações auditivas ou visuais proeminentes, delírios bizarros, discurso desorganizado, comportamento amplamente desorganizado ou catatônico, sintomas negativos). Comparado com a Esquizofrenia, o Transtorno Delirante em geral produz menos prejuízo nos funcionamentos ocupacional e social.

Pode ser difícil distinguir entre Transtornos do Humor com Aspectos Psicóticos e Transtorno Delirante, uma vez que os aspectos psicóticos associados com os Transtornos do Humor geralmente envolvem delírios não-bizarros sem alucinações proeminentes.

A distinção depende do relacionamento temporal entre a perturbação de humor e os delírios e da gravidade dos sintomas de humor.

Se os delírios ocorrem exclusivamente durante episódios de humor, o diagnóstico é de Transtorno do Humor com Aspectos Psicóticos. Embora os sintomas depressivos sejam comuns no Transtorno Delirante, eles geralmente são leves e apresentam remissão, ao passo que os sintomas delirantes persistem, e não indicam um diagnóstico separado de Transtorno do Humor.

Ocasionalmente, sintomas de humor que satisfazem todos os critérios para um episódio de humor são sobrepostos à perturbação delirante. Se os sintomas que satisfazem os critérios para um episódio de humor estão presentes por uma porção substancial da perturbação delirante (isto é, o equivalente delirante do Transtorno Esquizoafetivo), então se aplica um diagnóstico de Transtorno Psicótico Sem Outra Especificação, acompanhado por Transtorno Depressivo Sem Outra Especificação ou Transtorno Bipolar Sem Outra Especificação.

Os indivíduos com Transtorno Psicótico Compartilhado podem apresentar sintomas similares àqueles vistos no Transtorno Delirante, mas a perturbação tem etiologia e curso característicos. No Transtorno Psicótico Compartilhado, os delírios surgem no contexto de um estreito relacionamento com outra pessoa, sua forma é idêntica aos delírios da outra pessoa, e diminuem ou desaparecem quando o indivíduo com Transtorno Psicótico Compartilhado é separado do indivíduo com o Transtorno Psicótico primário.

O Transtorno Psicótico Breve é diferenciado do Transtorno Delirante pelo fato de os sintomas delirantes, no Transtorno Psicótico Breve, durarem menos de 1 mês.

Um diagnóstico de Transtorno Psicótico Sem Outra Especificação pode ser feito quando não há informações suficientes disponíveis para selecionar entre Transtorno Delirante e outros Transtornos Psicóticos, ou para determinar se os sintomas apresentados são induzidos por uma substância ou resultam de uma condição médica geral.

Pode ser difícil diferenciar a Hipocondria (especialmente Com Insight Pobre) do Transtorno Delirante. Na Hipocondria, os temores de ter uma doença grave ou a preocupação acerca de ter uma doença séria são mantidos com uma intensidade que não chega a ser delirante (isto é, o indivíduo consegue admitir a possibilidade de que a doença temida não está presente).

O Transtorno Dismórfico Corporal envolve uma preocupação com algum defeito imaginário na aparência. Muitos indivíduos com este transtorno mantêm crenças com uma intensidade que não chega a ser delirante e reconhecem que sua impressão sobre a própria aparência é distorcida.

Uma parcela significativa dos indivíduos cujos sintomas satisfazem os critérios para Transtorno Dismórfico Corporal, entretanto, mantém suas crenças com intensidade delirante.

Quando os critérios para ambos os transtornos são satisfeitos, tanto Transtorno Dismórfico Corporal quanto Transtorno Delirante, Tipo Somático, podem ser diagnosticados. Os limites entre Transtorno Obsessivo-Compulsivo (especialmente Com Insight Pobre) e Transtorno Delirante às vezes podem não ser claros.

A capacidade dos indivíduos com Transtorno Obsessivo-Compulsivo de reconhecer que as obsessões e compulsões são excessivas ou irracionais ocorre em uma linha contínua. Em alguns indivíduos, o teste de realidade pode ter-se perdido, podendo a obsessão alcançar proporções delirantes (por ex., a crença de ter causado a morte de alguém por tê-la desejado).

Se as obsessões progridem para crenças delirantes persistentes que representam um papel importante no quadro clínico, pode-se aplicar um diagnóstico adicional de Transtorno Delirante.

Em comparação com o Transtorno Delirante, não existem crenças delirantes definidas ou persistentes no Transtorno da Personalidade Paranóide. Sempre que uma pessoa com um Transtorno Delirante tem um Transtorno da Personalidade preexistente, o Transtorno da Personalidade deve ser anotado no Eixo II, seguido pela expressão "Pré-mórbido", entre parênteses.

Critérios Diagnósticos para F22.0 - 297.1 Transtorno Delirante
A. Delírios não-bizarros (isto é, envolvendo situações que ocorrem na vida real, tais como ser seguido, envenenado, infectado, amado a distância, traído por cônjuge ou parceiro romântico ou ter uma doença) com duração mínima de 1 mês.
B. O critério A para Esquizofrenia jamais foi satisfeito.
Nota: alucinações táteis e olfativas podem estar presentes no Transtorno Delirante, se relacionadas ao tema dos delírios.
C. Exceto pelo impacto do(s) delírio(s) ou de suas ramificações, o funcionamento não está acentuadamente prejudicado, e o comportamento não é visivelmente esquisito ou bizarro.
D. Se episódios de humor ocorreram durante os delírios, sua duração total foi breve relativamente à duração dos períodos delirantes.
E. A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., uma droga de abuso, um medicamento) ou de uma condição médica geral.
Especificar tipo (os tipos seguintes são atribuídos com base no tema predominante do(s) delírio(s):
Tipo Erotomaníaco: delírios de que outra pessoa, geralmente de situação mais elevada, está apaixonada pelo indivíduo.
Tipo Grandioso: delírios de grande valor, poder, conhecimento, identidade ou de relação especial com uma divindade ou pessoa famosa.
Tipo Ciumento: delírios de que o parceiro sexual do indivíduo é infiel.
Tipo Persecutório: delírios de que o indivíduo (ou alguém chegado a ele) está sendo, de algum modo, maldosamente tratado.
Tipo Somático: delírios de que a pessoa tem algum defeito físico ou condição médica geral.
Tipo Misto: delírios característicos de mais de um dos tipos acima, sem predomínio de nenhum deles.
Tipo Inespecificado.

ESQUIZOFRENIA PARNÓIDE

Por Elias Celso Galvêas (*)

Segundo o dicionário Aurélio:

(1) “Esquizofrenia - Termo psiquiátrico que serve para denominar um afecção mental que se caracteriza pelo relaxamento das formas usuais de associação de idéias, baixa de afetividade, autismo e perda de contato vital com a realidade, (...)”.

(2) “Paranóia – Uma das formas de psicopatia (doença psíquica) caracterizada pelo aparecimento de ambições suspeitas, que se acentuam evoluindo para delírios persecutórios e de grandeza – estruturados sobre base lógica”.


Portanto, “Esquizofrenia Paranóide” é uma modalidade de esquizofrenia que, vista como uma significativa perda de contato vital com a realidade, através do relaxamento das formas usuais de associação de idéias, toma forma (ou aspecto) de paranóia, vista, por sua vez, como um aparecimento de ambições desmedidas (suspeitas) que evoluem, geralmente, para mania de grandeza (megalomania) aliada a delírios persecutórios. No entanto, é interessante observar que apesar de ser observado o relaxamento das formas usuais de associação de idéias (característico da esquizofrenia), os sentimentos de perseguição e megalomania são, freqüentemente, estruturados sobre base lógica.


A esquizofrenia é uma das mais devastadoras dentre as desordens mentais conhecidas, fazendo com que o doente perca (parcial ou totalmente) o contato com a realidade objetiva. Os pacientes com essa modalidade de desordem psíquica costumam ver, ouvir e/ ou sentir sensações que realmente não existem na realidade objetiva e concreta, de que as pessoas supostamente “normais” partilham; e tais sensações percebidas pelo esquizofrênico - que não pertencem à realidade objetiva das pessoas consideradas normais - são denominadas “alucinações”. Para entender melhor o que são essas alucinações e como elas agem no indivíduo doente, basta ver o filme “Uma Mente Brilhante” – que é a história de John Nash, um famoso matemático esquizofrênico que elaborou uma teoria revolucionária no campo da macroeconomia, mas que, por outro lado, tinha sérios problemas afetivos devido à doença que, de certa forma, prejudicava seu julgamento objetivo em relação à realidade concreta que o cercava – apesar de não comprometer seu campo cognitivo.

Da mesma forma, o esquizofrênico é capaz de se estruturar logicamente a fim de se convencer veementemente de fatos que simplesmente não condizem com a realidade objetiva (desilusão) que o cerca. Essa verdade (ou conjunto de verdades) o consome completamente, em todos os sentidos, passando a viver em função das fantasias por ele criadas, fundindo-as (muitas vezes brilhantemente) com a realidade objetiva e concreta que ele deveria estar vivendo. Esse processo, por sua vez, recebe o nome de desilusão, que se caracteriza por uma ruptura significativa (ou mesmo total) com a realidade objetiva e concreta com a qual precisamos estar em permanente em contato.

A “esquizofrenia paranóide” é, portanto, uma modalidade de esquizofrenia (com todas as características acima descritas), e que se aproxima da paranóia, na medida em que o indivíduo apresenta tal desordem mental estruturada em traços visíveis de megalomania (mania de grandeza) e desilusões persecutórias freqüentes. Dependendo do grau (intensidade) em que a doença se manifesta, nada impede que, de modo geral, os esquizofrênicos possam ser pessoas inteligentes, criativas e produtivas.

De qualquer forma, os esquizofrênicos geralmente sofrem demasiadamente, no sentido de que não sabem distinguir suas fantasias, manias e fixações da realidade que os cerca. Tendem a criar, portanto, mundos fantasiosos à parte, dentro do qual passam a viver isolados, posto que suas fantasias tendem a funcionar como um tampão em relação à realidade objetiva, funcionando, dessa forma, como uma muralha ao convívio social. É bem provável que os esquizofrênicos ajam dessa maneira por apresentarem, em todos os sentidos, uma baixa resistência à contrariedades, perdas e frustrações: eles não suportam que duvidem deles ou que contrariem a lógica das idéias absurdas que freqüentemente estruturam.

As primeiras manifestações de “esquizofrenia paranóide” costumam aparecer, em média, entre os 16 e 34 anos. É uma doença que não tem cura, mas que pode, porém, dependendo do grau, ser controlada através de medicamentos e acompanhamento psicoterapêutico, permitindo ao indivíduo levar uma vida relativamente normal. Ataques mais graves, em graus mais severos e com maior freqüência, podem exigir internações periódicas.


AS CAUSAS

Como já deve ter sido mencionado, a “esquizofrenia paranóide” é uma das piores modalidades esquizofrenia, que se caracteriza por ser uma desordem mental causadora de intensas distorções no modo de pensar, bem como nas percepções dos sentidos: o indivíduo portador da doença ouve e vê coisas que, de fato, não existem, se vistas pelo prisma de uma “realidade concreta e objetiva” - dentro da qual, nós, indivíduos não portadores dessa doença, estamos inseridos.

Os fatores que causam precisamente a “esquizofrenia paranóide” ainda são obscuros, sendo que já se sabe que o desequilíbrio na captação e recaptação de uma combinação de importantes neurotransmissores cerebrais constitui a causa fundamental da doença. No entanto, detalhes mais precisos sobre esse desequilíbrio e sobre o processo que o causa ainda são um grande mistério a ser desvelado pela ciência moderna.

O fator hereditário possui um papel significativo, de importância, posto que já foi observado que é mais provável (aumento de probabilidade) de se ser um esquizofrênico, caso o indivíduo possua algum histórico de esquizofrenia na família. O stress e o excesso de álcool não causam a esquizofrenia, pois a esquizofrenia é uma doença de origem genética e, portanto, inata, ou seja, o indivíduo nasce potencialmente com ela. Porém o stress - aliado ao uso abusivo do álcool - pode agravar tanto os sintomas de quem possui a doença, quanto criar, em determinado grau, um quadro sintomático comportamental naqueles que não apresentam a doença.


O PRINCIPAIS SINTOMAS PARA O CORRETO DIAGNÓSITICO DA DOENÇA

A esquizofrenia é uma doença que, geralmente, se desenvolve gradualmente – apesar de que, em determinados casos, ela pode se manifestar como um surto repentino. As pessoas mais próximas ao indivíduo esquizofrênico costumam perceber as mudanças primeiro do que o próprio.

Dentre os principais sinais, estão:

• Confusão mental;
• Inabilidade (ou incapacidade) para tomar decisões por si mesmo;
• Alucinações;
• Mudanças nos hábitos alimentares ou de sono, bem como nos níveis de energia;
• Desilusões (no sentido científico da palavra, anteriormente explicado);
• Nervosismo;
• Dizeres estranho e comportamento bizarro;
• Isolamento em relação aos amigos, trabalho ou estudos;
• Freqüente negligência à higiene pessoal;
• Raiva (intensa e freqüente) e agressividade (moderada);
• Indiferença pela opinião de terceiros;
• Tendência freqüente a discutir – com predileção a assuntos polêmicos ;
• Forte convicção de superioridade em relação aos demais, e que as pessoas são incapazes de entendê-lo.


O TRATAMENTO PSICOFARMACOLÓGICO

Sem medicação e acompanhamento psicoterapêutico, a maior parte dos “esquizofrênicos paranóides” tornam-se incapazes de operar no mundo real. Sem auxílio dos medicamentos e da orientação de um profissional competente, eles poderão desenvolver severas alucinações e desilusões, podendo, facilmente, se tornarem perigosas, tanto para eles mesmos como para as pessoas que o cercam.

Os medicamentos mais comuns para o tratamento da “esquizofrenia paranóide” são: o Thorazine, o Haldol e o Risperdal, capazes de combater os sintomas de maneira eficaz, em 4 entre cada cinco pacientes (ou seja, são eficientes em 80% dos casos). Os tratamentos com os medicamentos duram de quatro a oito semanas. Como a doença é incurável, terapias convencionais ou grupais podem ajudar o paciente a entender melhor a sua condição, aprendendo, com isso, a conviver com sua doença, o que é decisivo para o aumento gradual de sua qualidade de vida e produtividade. Mas lembre-se: jamais tome remédios sem a consulta prévia de um especialista no assunto, principalmente se você ainda não sabe se possui ou não a doença. Procure, primeiramente, estudar e entender ao máximo os seus problemas, em todos os sentidos.


NO CASO DA NECESSIDADE DE UMA INTERNAÇÃO

No caso de saber que irá ser internado, é provável que o indivíduo já tenha passado por isso outras vezes e já conheça a sua condição de esquizofrênico. Todavia, no caso de ser a primeira internação, o primeiro surto, não se apresse em obter um diagnóstico de algum curioso de plantão, pois somente um psiquiatra experiente, devidamente qualificado e habilitado, poderá diagnosticar seu problema como “esquizofrenia”, bem como dizer se a modalidade da mesma é a “paranóide”. Tampouco, tente adivinhar o que está acontecendo: só por que leu um artigo interessante, não ache que é mestre no assunto, pois você sempre terá alguma coisa a aprender, assim como os especialistas na área também terão. Simplesmente aceite todo o tipo de ajudar que puder: da família, dos amigos, do especialista que acompanha o seu caso, etc.

O tratamento para um surto esquizofrênico irá, sem dúvida, necessitar de uma internação em tempo integral, em clínica especializada, de onde o paciente não poderá sair, e aonde o mesmo poderá ser assistido por uma equipe de profissionais que, seguramente, saberão o que fazer. É importante que o responsável pela internação conheça a clínica e seus antecedentes, procurando colher o maior número possível de referências e informações sobre a mesma, bem como sobre os profissionais que estarão cuidando do caso.

Com o passar do tempo, na medida em que os sintomas forem se amenizando, o especialista deve considerar a possibilidade de transferir o paciente para um sistema de tratamento ambulatorial, onde será possível permitir que o mesmo retorne à sua casa, no final de mais um dia de tratamento. Nessa etapa, os pacientes podem vestir suas próprias roupas; porém, deve-se ter o extremo cuidado em evitar que os mesmos tenham contato com qualquer objeto pontiagudo, assim como: tesouras, facas, estiletes, etc., que deverão ser devidamente guardados pelos funcionários da clínica.

Pacientes que se mostrarem excessivamente agressivos, após o período do tratamento, poderão ser arbitrariamente hospitalizados por seu médico (ou “presos” pela polícia) por até três dias. De qualquer forma, enquanto hospitalizados, os pacientes deverão passar pelos seguintes procedimentos:

• Terapia em grupo: consiste na formação de um grupo de apoio formado por pessoas que sofrem problemas semelhantes (no caso, de esquizofrenia paranóide). Dentro do grupo, o indivíduo e os demais (seus semelhantes em sofri-mento) sentem-se plenamente à vontade, no sentido de compartilhar (entre si) suas dores, angústias e sentimentos mais profundos. A terapia em grupo é orientada por um profissional competente, geralmente um psiquiatra com formação psicanalítica.

• Terapia individual: em termos clínicos, consiste numa terapia que irá complementar a terapia grupal, não sendo, por isto, considerada menos importante que ela. A terapia individual é uma tentativa de se conferir a oportunidade ao paciente de se encontrar individualmente com seu terapeuta, a fim de procurar aprender meios de conviver e lidar com a sua doença.

• Reuniões com a família: nessas sessões, o especialista irá procurar fazer com que a família entenda e ajude na recuperação do paciente, ao mesmo tempo em que prepara o terreno adequado para que o mesmo retorne ao seio familiar e reduza a possibilidade de recaídas posteriores .

• Isolamento: caso o paciente sinta-se incapaz de controlar a si mesmo, o especialista e membros de sua equipe procuram algum meio de isolar o mesmo do contato com os outros pacientes – tanto para a sua própria segurança, quanto para a segurança dos demais. Em casos em que o paciente apresente agressividade excessiva, ele poderá ser amarrado à cama até que recobre a sua serenidade e possa voltar ao convívio com os demais.

• Tratamento eletroconvulsivos: também conhecida como “Terapia de Choque”, é aconselhável somente em casos extremos, quando é observado no paciente um comportamento excessivamente evasivo e de isolamento voluntário, devido a um quadro de depressão profunda. Esse tipo de tratamento, se monitorado e bem dosado, poderá, além de eliminar o quadro depressivo, poderá contribuir para acelerar a melhora e a recuperação do paciente como um todo. O tratamento consiste em ligar eletrodos ao cérebro do indivíduo, aplicando uma corrente elétrica forte a ponto de causar, repetidas vezes, convulsões mo-deradas - que duram determinado período de tempo. O paciente perde a memória, apresentando freqüentes lapsos, em todos os sentidos. Porém a memória volta à sua normalidade, geralmente, em duas semanas.

Fontes:
http://maxpages.com/elias/Esquizofrenia_Paranoide
http://virtualpsy.locaweb.com.br/dsm_janela.php?cod=39

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Livro - O que é Psicologia


Título: O que é Psicologia - Coleção primeiros passos 222
Autor: Maria Luíza Silveira Teles
Editora: Brasiliense
Tipo de arquivo: PDF (escaneado)
Tamanho: 6,70 MB


Sem tempo para parar e pensar, sem poder aproximar-se da Natureza, tantas vezes sem amigos com quem desabafar, sentindo-se só e alienado, o homem é hoje, mais que nunca, vítima de distúrbios emocionais.
Nesta época de rápidas transformações e muito estresse, cabe a psicologia fornecer-lhe subsídios para que possa lidar melhor consigo mesmo e com os problemas que a vida lhe apresenta.

PARA BAIXAR CLIQUE AQUI

Frase para pensar

"Como dizia o grande psicólogo Gemelli, todos nós temos setecentos ou mil anos em nosso sangue. Herdamos, portanto, o passado com suas virtudes e vícios, e levamos adiante aquilo que colhemos e aquilo que produzimos em nossa existência". Dom Paulo Evaristo Arns, religioso, SC, 1921

Depressão pós-parto: contrariedade de sentimentos


Alguns fatores podem favorecer o início dessa enfermidade

A gravidez e o parto são momentos marcantes para uma mulher, não apenas pela transformação corporal pela qual ela passa, mas pela responsabilidade biológica em carregar em si uma vida e pela responsabilidade pós-parto com aquela vida e a expectativa em poder proporcionar um ambiente físico e emocional favorável ao desenvolvimento do bebê, que passa a integrar a família e a sociedade. As respostas emocionais aos momentos críticos de sua vida, sejam eles bons ou ruins, são respostas de adaptação, muitas vezes, marcadas pelo adoecimento emocional da pessoa, como fato efetivo da dificuldade em se manter estável nesse período.

O primeiro mês após o parto é, talvez, o período no qual a mulher se encontra mais vulnerável emocionalmente. Nesse tempo o número de internações psiquiátricas é sete vezes maior do que a média de internações durante toda a gestação. Dois quadros comuns entre as mulheres que acabam de dar à luz é a “depressão pós-parto” (DPP) que atinge de 10 a 20% das parturientes e a “tristeza pós-parto” (blues pós-parto ou disforia puerperal) que acomete cerca de 50% das puérperas. São quadros bem distintos do ponto de vista de reações femininas, sendo que é mais comum o segundo caso [tristeza pós-parto], que é mais suave em seus sintomas e dura no máximo 5 semanas, não devendo evoluir para um quadro efetivo de depressão. Já a DPP é mais severa, merece um tratamento detalhado e uma atenção especial e pode instalar um quadro efetivo de depressão na mulher.

Podemos até achar estranho, pois se a gravidez é algo tão bonito e desejado, por que traz tantos riscos emocionais para a mulher? Isso ocorre justamente pela intensidade da experiência emocional vivida por ela, a qual nem sempre está suficientemente equilibrada e preparada emocionalmente para esse acontecimento em sua vida. Muitas vezes, mesmo mulheres com boa organização psíquica podem passar por isso.

A DPP geralmente tem início na primeira semana pós-parto, podendo ocorrer até dois anos após o parto ter feito. Alguns fatores podem favorecer o início dessa enfermidade, destacando-se:

– Mulheres com sintomas depressivos durante ou antes da gestação;

– Com histórico de transtornos afetivos, ou seja, que já tenham problemas psicológicos antes mesmo da gestação ou que não aceitem a gravidez de forma positiva;

– Gravidez rejeitada e gestação em que houve problemas sérios na vida pessoal podem provocar uma associação do problema com o bebê;

– Mulheres que sofrem de TPM (tensão pré-menstrual), que passaram por problemas de infertilidade ou que sofreram dificuldades na gestação;

– Submetidas à cesariana e com complicações no parto;

– Mães solteiras;

– Vítimas de carência social;

– Mulheres que perderam pessoas importantes, que passaram por aborto ou ainda quando seu bebê possui anomalias ou permanece na UTI e

– Que vivem em desarmonia conjugal.

O sintomas que se manifestam na mulher com depressão pós-parto, os quais podem ser percebidos no convívio familiar e social, são:

– Irritabilidade, mudanças bruscas de humor, indisposição, doenças psicossomáticas, tristeza profunda;

– Sintomas físicos: alterações gastrointestinais, ressecamento da boca, dor de cabeça e insônia;

– Desinteresse pelas atividades do dia a dia, falta de interesse no cuidado pessoal, sensação de incapacidade para cuidar do bebê e até mesmo de desinteresse por ele: a mãe pode deixar de alimentar e dispensar os cuidados básicos ao bebê. E em casos mais graves, ela pode ser tomada por pensamentos suicidas e homicidas em relação a ele.

Para ser considerada depressão pós-parto é necessário que ela ocorra até o sexto mês após o parto. Essa doença é prolongada e normalmente necessita de medicamento e acompanhamento psiquiátrico para ser controlada e dar melhor qualidade de vida e até mesmo segurança para a mulher, o bebê e a família.

Não há um trabalho preventivo para a DPP, mas o pré-natal é importante para orientar a mãe com relação às suas necessidades e também com relação às do bebê, bem como para prevenir esse mal, porque reduz o medo, a expectativa e a ansiedade da mãe nesta fase por meio de informações e do acompanhamento recebido.

A família tem um papel importante para que a mulher seja cuidada não só durante a gravidez, mas após o parto. Por vezes, a família não dá tanta importância ao fato [DPP], achando que isso é próprio da fase, que logo vai passar, que é “coisa de mãe”. O risco não é apenas com relação à mãe, mas também com relação à qualidade da saúde mental do recém-nascido, pois ela passa a destinar sentimentos negativos ao filho, maltratá-lo e até mesmo a ter vontade de eliminar a vida da criança. Isso não é apenas maldade ou falta de Deus. Trata-se, sim, de um quadro que requer atenção redobrada, pois ao contrário do que o socialmente desejado, nem sempre a reação da mulher é positiva e sua estrutura emocional preparada para esse momento. Sentimentos de incompetência, incapacidade, limitação nos papéis que a mulher ocupa na sociedade, na família, no casamento podem estar presentes e despertarem um processo depressivo. De forma geral, a mulher sente que perdeu o lugar de filha sem que tenha ainda segurança no papel de mãe; que o corpo está irreconhecível, pois se já não é mais de uma grávida, tampouco retomou sua forma original; e que entre ela e o marido encontra-se um terceiro elemento. O bebê emerge como um outro ser humano aos olhos desta mãe e precisa encontrar um espaço dentro desta configuração anterior (casal) de forma a deixar preservada a sexualidade dos pais.

A DPP é severa e merece, sim, um acompanhamento psicológico e psiquiátrico, especialmente pela gravidade dos sintomas apresentados pela mãe, pois, muitas vezes, o uso de medicação e acompanhamento psicológico serão necessários. Uma mãe dedica-se ao bebê sem que tenha certeza do futuro ou do reconhecimento do filho. Nas fases iniciais sua dedicação é muito intensa e torna-se complicado que uma mãe possa atender as necessidades do bebê caso esteja comprometida psicologicamente.

Busque orientação e conhecimento, que são essenciais na percepção e até mesmo na antecipação da existência potencial dessa enfermidade que acomete tantas famílias.

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Elaine Ribeiro
psicologia01@cancaonova.com
Elaine Ribeiro, colaboradora da Comunidade Canção Nova, formada em Psicologia Clínica e Pós-Graduada em Gestão de Pessoas

Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=11676