quarta-feira, 23 de março de 2011

Resumo - Psiquiatria na década de 70 e 80

Os mesmos fatores que afetaram a Psicanálise na década de 70 afetaram, também, as pessoas que buscavam outras formas de tratamento, principalmente nos Estados Unidos.
O custo e o tempo estimularam o desenvolvimento de formas mais breves de terapia. Algumas baseadas nos modelos cognitivo-comportamentais e outras no modelo psicanalítico. A terapia breve não “mudava” a pessoa em algumas semanas, mas apenas aliviava alguns sintomas ou resolvia uma crise de relacionamento.

TERAPIAS:

. Confrontação direta -
Psicoterapia “dinâmica”, Davanloo (1980) – método que consistia em romper resistências em pacientes difíceis utilizando a confrontação direta (às vezes em prejuízo do tato e cautela), forçava os pacientes a admitir sentimentos que não estavam prontos para expressar.

. Análise Setorial
Surgimento de outras técnicas breves, mas delicadas (inspiradas em Deutsch e Murphy – 1955) onde os médicos determinavam os problemas centrais escutando as palavras chaves que escapavam dos pacientes, disfarçando tenuemente os seus medos mais profundos. Deutsch e Murphy chamavam a abordagem de “análise setorial”.
Tempo de duração do processo – de 10 a 20 sessões.

. Cultos
Foi um período onde todas as formas de soluções mágicas foram criadas e vendidas como a “Terapia do Grito Primal” (Janot); a “EST” de Erhard e “Rolfing” (Rolf Institute for Structural Integration) criado por Ida Pauline Rolf, entre muitos.
Alguns charlatões brilharam brevemente obscurecendo os trabalhos dos responsáveis pela psiquiatria convencional.
Algumas viraram cultos perigosos como a Cientologia que até hoje atrai muitos adeptos, inclusive famosos. Foi criada por Huggard. Seus cultos alcançam o controle total dos adeptos isolando-os e alienando-os de suas famílias.

Em contrapartida um ramo da psiquiatria (Halperin-1978, 1983 e Galanter -1982, 1989) desenvolveu uma resposta à necessidade de desprogramar aqueles que tinham sido seduzidos e ajudando as famílias a recuperar os jovens dos cultos coercivos (induzir, pressionar).
Zvi Lothane (1983) alegava que havia elementos de culto mesmo nas terapias respeitadas como a de Konut, criador da escola psicanalítica da Psicologia do Self. Livros publicados: A análise do self (1971); A restauração do self (1977). Seus estudos baseavam-se nas patologias narcísicas.

. Pesquisa sobre os básicos da psicoterapia (Smith, Glass & Miller, 1980) sugere que elementos como fé, esperança, crença, empatia e calor emocional são as pedras fundamentais de todas as terapias efetivas.
Estudos da década de 80 tendem a confirmar que a orientação acadêmica é menos importante, como fator curativo, do que as qualidades humanas (unidas a experiência de vida).

. Eficácia da Psicoterapia
A crença na eficácia da psicoterapia cresceu a partir do trabalho de Myrna Weissmann (Epidemiologista) e seus colegas. Demonstrou que os transtornos afetivos são os transtornos mentais mais prevalentes nos Estados Unidos. Constatou que a psicoterapia podia ser tão eficaz no tratamento de depressão quanto à farmacoterapia (quer sozinha ou combinada com psicoterapia).

. Programa Doze Passos
Para o controle de transtornos do desejo (drogas, sexo, álcool, jogo, comida) surgiram programas de doze passos nos moldes do AA, orientando como refrear o desejo.

. Transtorno de Personalidade Bordeline – Incesto
Durante essa década os artigos referentes ao transtorno atribuíam importância causativa aos genes de risco para doença maníaco-depressiva em pacientes cujos parentes próximos têm mania bipolar ou depressão recorrente.
No final da década foi feita uma ligação entre experiências de incesto na infância e o desenvolvimento de transtorno de personalidade bordeline (Stone, 1981). Outros confirmaram mais tarde a teoria, reforçada por Finkelhor (1979), diretor do Programa de Pesquisa de Violência Familiar na Universidade de New Hampshire com seu livro que tratava de crianças vítimas de abuso sexual, aumentando a consciência dos psiquiatras sobre a magnitude do problema do incesto.
Houve uma explosão de livros, artigos e histórias sobre incesto abrindo caminho para a pesquisa intensiva sobre o assunto na década de 80.

. Hipnose –
O uso da hipnose ganhou respeito na década, como modalidade terapêutica na psiquiatria e na medicina resultando no uso extensivo para tratar de neuroses de guerra (2ª Guerra Mundial e na guerra da Coréia).
Trabalhos sobre a aplicação clínica da hipnose foram publicados: Crasilneck (1975), Spiegel e Spiegel (1978), Frankel (1974 1975). Nos transtornos fóbicos descobriram que a resistência ao tratamento podia ser diminuída através da hipnose.

PSIQUIATRIA HOSPITALAR

Transtornos alimentares –
. Anorexia nervosa – Teve mudanças significativas na década de 70, principalmente com pacientes hospitalizados, o sucesso do tratamento era mais evidentes.
. Bulimia nervosa – Este trantorno é seguido por purgação, de uma anorexia e depressão. Tratamento nesta época era de antidepressivos acompanhado de métodos comportamentais (terapias de grupo).


Esquizofrênia
. Estabelecimento de perfil na avaliação de pacientes esquizofrênicos
. Vida fora do confinamento hospitalar
. Avaliação da terapia analítica na esquizofrenia
. Outras formas de tratament, como internação breve e mais visitas ao hospital geraram melhoria e que a terapia de grupo e mais eficaz que a terapia individual.

Depressão Maníaca –
. Lítio- foi usado como estabilizador de humo, nesta época tentaram fazer uma classificação bioquímica de tratamento afetivos de acordo com fatores químicos.
. Formas “subafetivas” de doença bipolar

Condições Bordeline –
. Definição do transtorno de personalidade – Gunderson (1975) – uma tentativa de utilizar critérios que fossem mais fáceis de serem avaliados, nesta época não entraram em um acordo a não ser que o único aspecto de diagnósticos que concordaram era o da impulsividade, acreditando que uma das formas de tratamento fosse a imposição de limites, mas alguns acreditavam que a medicação não podia se prescrita por achar que seria ceder as exigência do paciente enquanto outro já recomendavam acreditando tratar diretamente da ansiedade, mas o melhor tratamento era o multimodal de bordelines hospitalizados, incluía terapia individual, terapia de grupo, trabalho com membros da família, medidas de reabilitação e um ambiente hospitalar.

terça-feira, 22 de março de 2011

Resumo - Kurt Lewin


KURT LEWIN, psicólogo alemão, nasceu em 9 de setembro de 1890 em Mogilno, Alemanha, na época, morreu em Newtonville, Massachusetts, Estados Unidos, em 12 de fevereiro de 1947.
Na Alemanha, estudou em Freiburg, Munique e Berlim, onde se doutorou em 1914, quando foi para a Primeira Guerra Mundial como oficial do Exército alemão trabalhando no Instituto Psicanalítico de Berlim. Foi para os Estados Unidos em 1933, onde se refugiou antes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), pois suas teorias eram incompatíveis com o Nazismo. Não voltou mais para a Alemanha.
Obras literárias
A Dynamic Theory of Personality (1935; Teoria dinâmica da personalidade)
Principles of Topological Psychology (1936; Princípios de psicologia topológica).

Trabalho nos Estados Unidos

Trabalhou nas universidades de Cornell, Stanford e Iowa, fundou o Centro de Pesquisa de Dinâmica de Grupo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, (MIT), em 1945. No Instituto fez diversos trabalhos e formou muitos profissionais no campo da psicologia e da Sociologia e fisiologia. Entre os anos de 1946 e 1953, Kurt Lewin integrou o grupo reunido sob o nome de Macy Conferences, contribuindo para a consolidação da teoria cibernética junto com outros cientistas renomados: Arturo Rosenblueth, Gregory Bateson, Heinz von Foerster, John Von Neumann, Julian Bigelow, Lawrence Kubie, Lawrence K. Frank, Leonard J. Savage, Margaret Mead, Molly Harrower, Norbert Wiener, Paul Lazarsfeld, Ralph W. Gerard, Walter Pitts, Warren McCulloch e William Ross Ashby; além de Claude Shannon, Erik Erikson e Max Delbrück.
Teoria psicológica
A teoria do campo psicológico, formulada por Lewin, afirma que as variações individuais do comportamento humano com relação à norma são condicionadas pela tensão entre as percepções que o indivíduo tem de si mesmo e pelo ambiente psicológico em que se insere, o espaço vital, onde abriu novos caminhos para o estudo dos grupos humanos. Dedicou-se às áreas de processos sociais, motivação e personalidade, aplicou os princípios da psicologia da Gestalt. Lewin desenvolveu a pesquisa-ação (Action-Research), tentando com ela dar conta de dois problemas levantados pela sociedade em sua época: os problemas sociais e a necessidade de pesquisa. Fez isso, pois nem sempre a pesquisa social pode ser levada para os laboratorios. Infelizmente, na época de hoje também, existem muitas fontes de pesquisa que não são confiáveis. Não podemos deixar de falar da teoria de três etapas (descongelamento, movimento e recongelamento) de Lewin que revolucionou a ideia de mudança em organizações.
COMPORTAMENTO HUMANO – Influência de fatores

Para o entendimento dos fatores próprios e individuais, ou seja, os fatores internos inerentes ao comportamento humano, deve-se considerar que o ser humano é um animal social; entretanto, cada sujeito possui aspectos que os tornam únicos. Existem diferenças sociais, culturais e particulares que influenciam nos padrões de comportamento, na formação da personalidade, nas aspirações, valores, aptidões, e motivações de cada um. Cada pessoa é considerada um fenômeno multidimensional. (Chiavenato, 1998).

Esta “multidimensionalidade” torna o estudo do clima organizacional ainda mais complexo, daí a necessidade de analisarmos cada um dos fatores, pois o clima é o conjunto e a inter-relação entre pessoas, que por sua vez são um novo conjunto e inter-relação de comportamentos.

A seguir, três teorias importantes para a compreensão do comportamento humano: a Teoria do Campo, de Kurt Lewin, a Teoria da Dissonância Cognitiva de Festinger e o conceito de Motivação, proposto por Freud, Maslow e outros autores.


Teoria de Campo de Kurt Lewin

A teoria de Kurt Lewin, um dos primeiros psicólogos a estudarem as organizações, explica que os padrões de comportamento são decorrentes das interações e das influências que o indivíduo estabelece com o meio. Essa teoria explica como cada indivíduo sintetiza de forma diferente as vivências com o meio ao longo de sua vida; assim, cada pessoa, cada ser humano, possui uma dinâmica interna própria, portanto, interpreta e percebe as coisas, as pessoas, as situações de forma particular.

O comportamento é resultado de uma totalidade de fatos e eventos coexistentes em uma determinada situação. A inter-relação entre os fatos e eventos cria um campo dinâmico. Este campo dinâmico, ou ambiente psicológico, corresponde aos padrões organizados de comportamentos e percepções do indivíduo em relação a si e ao seu ambiente. (Chiavenato, 1998).

Algumas prerrogativas da teoria de campo de Lewin:
- O comportamento deriva da coexistência dos fatos; - Essa coexistência dos fatos criam um campo dinâmico, o que significa que o estado de qualquer parte do campo depende de todas as outras partes; - O comportamento depende do campo atual ao invés do passado ou do futuro.
O campo é a totalidade da coexistência dos fatos que são concebidos como mutualmente interdependentes. Indivíduos se comportam diferentemente de acordo com o modo em que as tensões da percepção do self e do ambiente são trabalhados. O campo psicológico ou espaço vital (lifespace, em inglês), dentro dos quais as pessoas agem precisa ser levado em conta a fim de entender o comportamento. Os indivíduos participam de uma série de espaços vitais (ex: família, escola, trabalho, igreja etc) e esses foram construídos sob a influência de inúmeros vetores de força.

O comportamento é função do campo que existe no momento em que o comportamento ocorre e é representado pela seguinte fórmula:
C = f (P,A)
em inglês estas siglas tornam-se: B = f (P,E)
A fórmula significa que o comportamento de alguém está relacionado às características pessoais da pessoa e à situação social na qual se encontra.


Teoria do Espaço Vital

Por toda carreira de 30 anos, Lewin dedicou-se a área amplamente definida da motivação humana, descrevendo o comportamento humano dentro de total contexto social e físico (Lewin, 1936, 1939). Seu conceito geral de psicologia era prático, concentrando nas questões sociais que afetam a nossa vida pessoal e profissional. Buscava humanizar as fábricas da época, de modo que o trabalho se o tornasse mais uma fonte de satisfação pessoal do que apenas uma forma de ganhar a vida.
O conhecimento a respeito da teoria de campo da física fez com que ele imaginasse que as atividades psicológicas de um individuo também ocorrem dentro de um campo psicológico, chamado Teoria do Espaço Vital - que compreende todos os acontecimentos do passado, do presente e do futuro que nos afetam. Do ponto de vista psicológico, cada um desses fatos determina algum tipo de comportamento em uma situação específica. Dessa forma, o espaço vital consiste na necessidade de as pessoas interagirem com o ambiente psicológico.
A Teoria do Espaço Vital exibe diversos graus de desenvolvimento em função da quantidade e do tipo de experiência acumulados. Como o bebê tem pouca experiência, possui poucas regiões diferenciadas no seu espaço vital. Um adulto extremamente culto e sofisticado é dotado de um espaço vital complexo e bem diferenciado, exigindo grande variedade de experiência profissional tentou criar um modelo matemático para representar esse conceito teórico de processos psicológicos. Devido ao interesse em um único indivíduo (um único caso) e não em grupos nem no desempenho médio, a análise estatística não tinha muito valor para esse fim. Ele escolheu a topologia, uma forma de geometria, para criar um diagrama do espaço vital, mostrando os objetivos possíveis de uma pessoa e os caminhos que conduziam a essas metas em qualquer momento determinado.
Dentro do mapa topológico, usado para criar o diagrama de todas as formas de comportamento e de fenômenos psicológicos, Lewin usava setas (vetores) para representar a direção do movimento do indivíduo em busca da meta. Acrescentou a noção de peso a essas opções (valências) para referir-se ao valor positivo ou negativo dos objetos, dentro do espaço vital. Os objetos atraentes ou que satisfizessem às necessidades humanas recebiam valência positiva, enquanto os ameaçadores recebiam valência negativa. Esses diagramas chegaram a ser chamados de "psicologia do quadro-negro".

Lewin postulou um estado de equilíbrio entre a pessoa e o seu ambiente. Quando esse equilíbrio é perturbado, surge uma tensão (o conceito de motivação ou necessidade de Lewin) que leva a algum movimento, numa tentativa de restaurar o equilíbrio. Ele acreditava que o comportamento humano envolve o contínuo aparecimento de tensão-locomoção-alívio. Essa sequência é semelhante à de necessidade–atividade-alívio. Sempre que uma necessidade é sentida, existe um estado de tensão, e o organismo tenta descarregá-la agindo de modo a restaurar o equilíbrio.

A primeira tentativa experimental de testar essa proposição foi feita, sob a supervisão de Lewin, por Bluma Zeigarnik, em 1927. Propôs-se aos sujeitos uma série de tarefas, permitindo-lhes completar algumas, mas interrompendo-os antes de poderem terminar outras. Lewin previra que um sistema de tensão se desenvolve quando se propõe a sujeitos uma tarefa a realizar; quando a tarefa e completada, a tensão se dissipa; e quando a tarefa não é completada, a persistência da tensão resulta numa maior probabilidade de que a tarefa seja recordada. Os resultados de Zeigarnik confirmaram as previsões. Os sujeitos se recordaram mais das tarefas interrompidas do que as terminadas. Muitas pesquisas subsequentes foram feitas sobre o que hoje é conhecido como o efeito de Zeigarnik.

A característica notável da psicologia social de Lewin é a dinâmica de grupo, a aplicação de conceitos relativos ao comportamento individual e grupos. Assim como o indivíduo e seu ambiente formam um campo psicológico, assim também o grupo e o seu ambiente compõem um campo social. Os comportamentos sociais ocorrem no interior de entidades sociais simultaneamente existentes como subgrupos, membros do grupo, barreiras e canais de comunicação, e delas resultam. Assim, o comportamento do grupo é uma função do campo total existente em qualquer momento dado.

Além disso, Lewin acentuou a importância da pesquisa de ação social, o estudo de problemas sociais relevantes voltados para a introdução de mudanças. Ele se preocupava com os conflitos raciais e fez estudos comunitários sobre os efeitos da habitação integrada sobre o preconceito, sobre a equalização de oportunidades de emprego e sobre o desenvolvimento e a prevenção do preconceito em crianças. Sua pesquisa de ação social transformou problemas como a discriminação e o preconceito em estudos controlados, aplicando o rigor da abordagem experimental sem a artificialidade e a esterilidade do laboratório acadêmico.



BIBLIOGRAFIA


SCHULTZ, Duane P., SCHULTZ, Sydney Ellen – História da Psicologia Moderna, Ed. Cultrix, 2000, São Paulo – SP.

INTERNET

http://www.administracaoegestao.com.br/pesquisa-de-clima-organizacional/a-teoria-de-campo-de-kurt-lewin/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Kurt_Lewin

http://www.administracaoegestao.com.br/pesquisa-de-clima-organizacional/a-influencia-de-fatores-inerentes-ao-comportamento-humano/

segunda-feira, 21 de março de 2011

Resumo - Wilfred Ruprecht Bion

WILFRED RUPRECHT BION



Nasceu em 8 de setembro de 1897, em Mutra, Punjab, na India. Aos 8 anos foi estudar na Inglaterra no Bishop’s Stardfor College. Na escola se destacou nos esportes e aos 17 anos se dispõe a ser um desportista internacional. Entra nas Forças Armadas, recebe honras aos 21 anos e chega a capitão. Ingressa aos 22 anos no curso de História, estuda também Filosofia, Linguas (latina e grega ) literatura francesa.
Entra no curso de Medicina aos 33 anos , forma-se e ganha uma medalha de ouro como cirurgião e outras distinções significativas.Em 1932 inicia-se sua prática em psiquiatria, trabalha com o DR, Hadfield , defensor da terapia psicanalítica e um dos fundadores da Tavistok Clinic, onde trabalhou por 15 anos. Até 1940 teve significativa experiência com delinqüentes
Em 1945 nasceu sua primeira filha do primeiro casamento, sua esposa morre alguns dias após o parto. Aos 48 anos (1945) instala-se em Iver Heath, aluga um consultório, inicia sua formação em Psicanálise e sua análise com Melanie Klein, que dura até 1953. Interessa-se pelo tratamento em Grupo juntamente com John Rickman (seu primeiro analista) estruturando suas idéias que culminaram no livro “Experience With Groups” de 1961.
Estudou a personalidade psicótica e escreveu uma serie de trabalhos muitos originais apresentados em Congressos e Jornais de Psicanálise. Em suas conferências havia sempre uma interação dele com o grupo, fazendo questionamentos e levando o grupo à reflexão. Tinha, portanto, um jeito questionador e instigante.
Dava ênfase na relação entre o pensamento e a linguagem na Psicose, junto com tratamento analítico das mesmas.
Em 1951 casa-se novamente com Franscesca a quem conhecewu no Instituto de Relações Humanas da Tavistok e o influenciou muito na sua vida e carreira, teve dois filhos com ela, ficaram casado até o fim de sua vida.
Em 1956 foi nomeado diretor da clínica de Londres de Psicanálise, ocupando esse cargo até 1962.
Aos 71 anos, Bion transfere-se para Los- Angeles, passando a ter mais contato com Argentina e o Brasil. Proferiu Conferências no Rio e em São Paulo nos anos de 1973, 1974, 1975 e em 1978, No Ano de 1979 volta para Inglaterra, onde morre de leucemia aos 82 anos.

Terapia de Grupo
Vale ressaltar que os primeiros escritos de Bion sobre grupos datam de 1943 (“tensões intragrupos nas terapias”), passam por 1946 (“Projeto de um grupo sem lider”), sendo que estes artigos, e outros mais, foram reunidos em 1948 em um livro “Experiências em grupos”. Em 1952, ele publicou “Dinâmica de grupo: Uma revisão”, e em 1961, sob a motivação de que “estes artigos despertaram um interesse maior do que ele esperava”, ele tornou a reunir todos estes textos e os publicou em um livro também intitulado “Experiências em Grupos”. Em 1952 ele escreve “uma revisão da dinâmica de grupo”.
Estes estudos sobre grupos são baseados em experiências vividas em distintos locais, épocas e propósitos. Assim no hospital militar, durante a 2ª Guerra Mundial, Bion descreveu as “Tensões Intragrupais” com grupos formados com a finalidade de reabilitação. Ele também descreve um método original, criação sua, de proceder a uma seleção de candidatos a oficial da armada, através da proposição de atividades em “grupo sem líder”. A experiência grupal de Bion ficou muita enriquecida com os seus posteriores experimentos de finalidade psicoterapêutica na Tavistock Clinic.
Os estudos de Bion sobre grupos mostram uma nítida influência do texto de Freud, “Psicologia das massas e análise do ego”, de 1921. Assim, Bion parte dos modelos do Exército e da Igreja os quais ele considerou como sendo “Grupos de trabalho” e que foram estudados e utilizados por Freud como ilustração de seus estudos sobre os tipos de lideranças. Da mesma forma pode-se dizer que a concepção de Bion referente aos “Supostos Básicos”do inconsciente grupal, se refere ao funcionamento do “Processo Primário” e, portanto, equivale à descrição que Freud fez acerca do “grupo desestruturado, inerente às massas”, conforme um estudo prévio de Le Bom, bastante citado por Freud no seu citado trabalho.
Dentre as concepções originais da dinâmica do Campo grupal, além que já referimos em relação aos grupos de reabilitação e de seleção, os grupos sem líder, e a abertura para a comunidade, destacamos outros conceitos.
 MENTALIDADE GRUPAL: O grupo adquire uma unanimidade de pensamento e de objetivo, o qual transcende aos indivíduos;
 CULTURA DO GRUPO: Resulta da oposição conflitiva entre as necessidades da “mentalidade grupal”, e as de cada indivíduo;
 VALÊNCIA: Esse termo é tirado da química, e que designa a capacidade que o indivíduo tem em combinar com os demais, em função dos fatores inconscientes de cada um;
 COOPERAÇÃO: É a interação das pessoas orientadas pela razão. Está relacionada com o “grupo de trabalho”;
 GRUPO DE TRABALHO: Bion afirma que todo grupo opera sempre em dois níveis que são simultâneos, opostos e interativos, mas delimitados entre si. Um é o “grupo de trabalho” e o outro é o “grupo de base”. O “grupo de trabalho” está voltado para aspectos conscientes, para a tarefa;
 O GRUPO DE (PRÉ) SUPOSTAS BÁSICAS (SB): Os grupos básicos funcionam pelas leis do inconsciente.
Bion descreveu três modalidades de supostas básicas e as denominou respectivamente de “Dependência”, de “Luta e Fuga” e de “acasalamento”.
As emoções básicas, como o amor, ódio, medo, ansiedades, etc estão presentes em qualquer situação. Mas o que caracteriza cada um dos três supostos básicos é a forma de como esses sentimentos vêm combinados e estruturados, e por isso, exigem um tipo de líder específico apropriado para preencher os requisitos do suposto básico predominante e vigente no grupo.
Em um texto de L. A. Py (1986) expõe a emergência nos indivíduos dessas suposições básicas e de como eles se interpretam. O autor afirma que “algo emerge inconsciente, instintivo e primitivo levando o grupo a um determinado tipo de comportamento que passa um padrão da espécie humana, tendo em vista o fato de o homem ser um animal gregário.
Trata–se de um comportamento de sobrevivência que então aparece de forma rudimentar, ineficiente, caricata, Os aspectos mais essenciais da sobrevivência da espécie estão aí presentes conforme descritos por Bion. Existe a expectativa da emergência do líder místico, aquele que individualmente detém capacidades invulgares e que tem condições de liderar, dirigir o grupo para a sobrevivência. O instinto de obediência a esse líder aparece caricaturado no grupo de suposto básico de dependência. Como animal predador e ao mesmo tempo alvo e presa de outros predadores, o ser humano necessita estabelecer padrões de comportamento grupais que lhe permitam lutar e fugir de acordo com as circunstâncias. A liderança necessária para tal se faz presente e a formulação das atitudes grupais que fazem face a essas necessidades encontra – se representada no grupo de suposição básica de luta – fuga.
O outro elemento fundamental da sobrevivência da espécie, a procriação e a criação da prole, está expresso no grupo de suposto básico de acasalamento.
“Assim, vemos que as principais necessidades básicas de manutenção da espécie humana emergem desta forma primitiva nos agrupamentos humanos quando é dada a oportunidade para tal”.

sábado, 19 de março de 2011

Resumo - Renascimento da Psiquiatria

Resumo de Mauricio, Leny e Flávia.

Renascimento da Psiquiatria



A década de 1950 fez mais que inspirar a nova aparência na descrição e estudo das doenças, o que resultou num grande avanço nos diagnósticos. No inicio da década as drogas ilícitas tornaram-se moda, particularmente na América e na Europa Ocidental.
O abuso no consumo de drogas ilícitas cresceu rapidamente e se tornou uma epidemia. Muitos adolescentes com vulnerabilidade para psicoses, até então ocultas, tiveram esse potencial revoltantemente efetivado após terem tomado alucinógenos.
A taxa de divórcio cresceu exorbitantemente na década de 1960, as mulheres estavam trabalhando e, portanto, eram capazes de deixar seus maridos em casos de abuso. O desvio cultural para longe do idealismo e auto-restrição e em direção a maior autogratificação provocou a cultura do narcisismo (quando a mulher afirma que “eu posso, eu me garanto, eu quero”, etc)
Com o aumento do divórcio e o numero crescente de mulheres na frente de trabalho iniciava-se a revolução sexual. A masturbação tornou-se ultrapassada e o desenvolvimento de melhores dispositivos contraceptivos levaram à maior liberdade sexual, com famílias menores, maior oportunidade para experimentação sexual e uma ameaça concomitantemente maior à integridade do casamento.

À medida que o divórcio se tornava cada vez mais comum, mais problemas sociais vieram à tona, pois as crianças eram criadas por padrastos e madrastas e meio irmãos. O incesto, o mais bem mantido dos segredos, também era mais comum, em parte devido ao numero crescente de padrastos e madrastas. As afiliações religiosas e o comparecimento às igrejas caíram consideravelmente, na década de 1960, enfraquecendo mais ainda o sistema de apoio com o qual os jovens contavam.
A taxa de suicídio cresceu entre pessoas na terceira década de vida que agora tinham menor apoio parental, menor apoio da igreja e cada vez menos empregos a recorrer.
A década de 60 foi uma época de desinstitucionalização, as drogas milagrosas da década de 50 tinham, de fato, permitido que os hospitais psiquiátricos se desfizessem das camisas de força, embora alguns se queixassem que as drogas eram “camisas de força químicas”.
Os hospitais psiquiátricos se tornaram um repositório para dissidentes políticos que eram zumbificados com o mesmo medicamento que esvaziava os hospitais.
Novas leis foram decretadas, concedendo ao paciente o direito de recusar medicação, mesmo que as drogas fossem úteis.
Os psicanalistas geralmente falavam de transtorno de caráter, onde os psicólogos eram mais propensos a usar o termo personalidade.
Michael Balint, William Gillepsie e Charles Rycroft afirmavam que a psicanálise é um evento entre duas pessoas, onde um é o analista que interage com paciente e o outro um participante ativo.
Nas décadas de 1950 e 1960 houve uma evolução no estudo da psicanálise para os doentes mentais graves, como a esquizofrenia. Michael Baling rejeitava alguns princípios freudianos ortodoxos, os Analistas da Escola Independente escreviam em uma linguagem livre dos vocabulários especiais, eram mais acessíveis. Balint publicou uma monografia: A Falha Básica.
Também foi na década de 1960 que Donald Winnicott publica o livro O Processo de Amadurecimento e o Ambiente Facilitador - O Falso Self.
John Frosch trouxe um novo conceito de Borderline que preferia chamar de Caráter Psicótico, onde as principais características do caráter psicótico eram:
- preservação do teste de realidade;
- relações objetais;
– negação; e
- projeção.
Jacques Lacan publicou, em 1973, o livro Os quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise. O autor não estava preocupado com condições clínicas comuns, mas interessado na teoria freudiana de inconsciente, repetição, transferência e impulso, focalizando-se nas analogias entre teoria psicanalista e linguística moderna.
Sacha Nacht estava consciente de que os elementos curativos, no processo analítico, não estavam limitados as interpretações verbais. Nach tinha identificado três tipos de masoquista: erotogênico, moral e feminino.
Rudolph Loewenstein via a passividade e impotência do masoquista como um apelo à compaixão da figura parental.
Vitor Smirnoff acreditava que os masoquistas podem ser vistos como orquestrando sua própria vitimização, através da evocação de punição, suficiente para satisfazer suas necessidades de sentir-se no controle.
Irving Bieber publicou em 1960: Um estudo Psicanalítico de homens Homossexuais, onde os homossexuais resultavam de uma criação em família com mãe sedutora ou excessivamente envolvida e pai distante. Bieber percebia o homossexual como doença, o que era predominante entre psicanalistas, que termina com a resolução edípica, superando o chamado complexo de castração, o que permitiria alcançar a capacidade para a intimidade heterossexual.
A confiança na capacidade das novas drogas em manter pacientes severamente crônicos fora do hospital por questões politicas e econômicas. A trágica consequência dessa politica ainda não era tão evidente até a década de 1960.

quinta-feira, 17 de março de 2011

O que é Paresia?

Paresia (definição)

Termo geral que se refere ao grau leve a moderado de fraqueza muscular, ocasionalmente usado como sinônimo de PARALISIA (perda grave ou completa da função motora). Na literatura antiga, paresia geralmente se referia especificamente a neurossífilis parética (ver NEUROSSÍFILIS). "Paresia geral" e "paralisia geral" podem ainda trazer esta conotação. A paresia das extremidades inferiores bilateral é denominada PARAPARESIA.

Quem é Augusto Cury


Concordo com o que alguns leitores escreveram sobre ele no site da Livraria Cultura.

Sobre o livro "Nunca desista de seus sonhos":

Marilia / Data: 6/2/2009
Uma droga - Joguei dinheiro fora. O autor se julga inteligentíssimo, cria teorias ininteligíveis #até por ele mesmo, ele confessa## ou diz o óbvio como se fosse uma grande sacação, com a maior cara de pau. Diz até que uma universitária acostumada a ler Camões, Pablo Neruda e outros gênios, leu o livro dele e achou o melhor livro que ela leu na vida!!!!!!!!!!!!!!!Chega a ser hilário!

Claudio Malagrino / Data: 22/3/2008
Auto-ajuda ou auto-promoção? Ou ||Cury segundo Cury|| - ||Nunca Desista de seus Sonhos||, de Augusto Cury, é um legítimo representante da literatura fast-food que se produz e se consome hoje no Brasil. O livro nada mais é que uma colagem de idéias óbvias e frases prontas, além de trazer um espetáculo de auto-promoção constrangedor. O autor é pródigo em auto-elogios, apresentando-se como uma espécie de ||gênio incompreendido pela Academia conservadora||. Segundo Cury, Einstein ||queria explicar as forças do Universo||, e Cury, o ||caos do campo da energia psíquica||... Descreve em detalhes sua biografia, ao lado de outras personalidades da História, como Martin Luther King, Abraham Lincoln e Jesus Cristo! Já o tema central do livro, o ||sonho|| como meta que norteia nossas atividades, é superficialmente explorado. Além dos clichês surrados, o autor bate na tecla frankfurtiana da crítica à sociedade de consumo e à ||busca desenfreada pelo sucesso e pela riqueza||. São angústias e aflições que não atingem Augusto Cury; em sua conta corrente estão contabilizados os lucros pela venda de mais de um milhão de livros. Afinal, o importante é ser feliz!
Rodrigo / Data: 14/5/2007
Conceito do leitor:
Horrível - Escrito por um autor prepotente que se compara a Jesus Cristo e Luther King, esse livro pode ser um considerado uma das piores obras da Língua Portuguesa

Roberta Fontes / Data: 11/5/2006
Conceito do leitor:
Não vale 1,00 - Decepcionante. Talvez essa palavra possa expressar exatamente o que senti ao ler esse livreto. Não é digno sequer de ser chamado de livro, pois que é uma cópia mal feita de idéias originais, fazendo-se passar por original. Nota 0.

allen marques valadares vaz / Data: 10/3/2006
Conceito do leitor:
o sonho de ser original - La pelas tantas, o livro adquire um carater auto-biografico, antes tinha sido um retalho do que ele ja havia escrito em outros livros. A falta de originalidade no livro soa alto, falta ao autor o trabalho de se dedicar a escrever algo novo mesmo, ao inves disso teve o trabalho de digitar control c e control v. Quando ele diz que tem uma tese propria, cai da cadeira... a tese de que a memoria seria uma construcao subjetiva ja existe ha tanto tempo.... Falta ao autor ler Diderot ou os Ensaios de Walter Benjamin sobre Proust, ou mesmo, ler Proust. Quem sabe no emaranhado proustiano, ele descobriria novos assuntos para novos livros, e nos pouparia 19 reais para ler velhos conceitos copiados... Se pudesse pediria meu dinheiro de volta, nunca fui tao enganado... Se Walter Benjamin estivesse vivo nao se preocuparia com Cury a ponto de processa-lo por plagio, mas que seria bacana,seria... Este livro serve apenas para enriquecer o bolso da Sextante e do autor...dai a oportunidade de ser cobrado pelo plagio.


Jenifer / Data: 1/3/2006
Conceito do leitor:
Baboseiras e mais baboseiras... - A VEJA fez uma crítica excelente sobre esta e outras bobagens deste autor...Só asneiras, ditas por um autor embasado em ||ciência||, CRIADA PELO PRÓPRIO!!!! Enquanto houver ingênuos, vai vender muito...

Sobre o livro "O código da inteligência":

Tom / Data: 29/7/2009
Conceito do leitor:
Pura Mesmice - Esse é um livro de autoajuda para pessoas sem capacidade intelectual....não recomendo em hipotese alguma....decepcionante

Paulo S Abreu / Data: 14/6/2009
Conceito do leitor:
Auto ajuda disfarçada em ciência - O livro abusa de citações ao longo das páginas que não estão necessariamente relacionadas aos temas desenvolvidos no capítulo. Muitas delas são de outros livros do próprio autor, ou seja um ||auto-merchandising||. Os assuntos desenvolvidos ao longo do livro não chegam a ser desinteressantes, mas o autor os desenvolve muito no estilo ||auto-ajuda|| o que acaba por afastar leitores um pouco mais céticos e pragmáticos. Numa longa viagem de ônibus pode até ser que você leia o livro todo, mas se tiver outros à mão é muito provável que deixe esse de lado e parta para uma outra leitura.

Eiji / Data: 30/3/2009
Conceito do leitor:
Falta objetividade - O autor escreve fica divagando para demonstrar suas idéias, não é nada científico e parece um livro de auto-ajuda. Para quem quer ficar refletindo, pode ser bom. Para quem gosta de explicações cientificamente embasadas, este não é o livro.

Sobre o livro "O vendedor de sonhos":
Mateus / Data: 22/5/2009
Conceito do leitor:
baixa qualidade - Sofrivel , so é bom para que nunca leu um livro, a continuação tambem do ponto de vista literario e artistico é uma catastrofe. Faz o Paulo Coelho parecer premio nobel .
Klaus Petersen / Data: 6/4/2009
Conceito do leitor:
Narração - A forma como assunto é narrado não convence,é um tanto pueril, resumindo : ||chato || . Não conseguí ir além da página 85...

Cintia Tessuto / Data: 6/1/2009
Conceito do leitor:
Medíocre - Auto-ajuda disfarçada de literatura da pior qualidade. O livro é sofrível. Os diálogos são medíocres, a redação primária. Uma afronta ao leitor medianamente inteligente. E o pior é que promete uma continuação! Socorro!!!!

Natália / Data: 13/12/2008
Conceito do leitor:
Auto-ajuda - Por não ser classificado como um auto-ajuda, caí na besteira de comprar este Augusto Cury. Lamentável. Pessoas decidem mudar suas vidas a partir do momento que ouvem frases óbvias e por vezes vazias da boca de um desconhecido. Uma tentativa de recriar uma história messiânica, mas sem o fundamento necessário nem as idéias revolucionárias.

Sobre o livro "O futuro da humanidade":

Paulo / Data: 4/2/2008
Conceito do leitor:
Não compre - O livro é bobo, irreal e cheio de clichês. A história não tem fluência natural e por vezes o autor parece apelar para manter a narrativa. Existem opções muito melhores por esse preço.

Ética na Profissão

Duas sugestões de texto de Ética

1. Franklin Leopoldo e Silva; Ética e Situações-Limite
versão digital:
http://revistacult.uol.com.br/home/2010/04/etica-e-situacoes-limite/

2. Claudio Cohen, Marco Segre; Definição de Valores, Moral, Éticicade e Ética
Bioética, Capítulo 1 (páginas 17 a 26)
Versão digital:
http://books.google.com.br/books?id=uVW_UZ66bC0C&pg=PA17&lpg=PA17&dq=%22defini%C3%A7%C3%A3o+de+valores,+moral,+eticidade+e+etica%22&source=bl&ots=i20yxfEe3Y&sig=8qrj92S49IAAp4QuyJ-OSVK8Hl0&hl=pt-br&ei=eBKBTYXhMZSWtwfU6PTICA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=4&ved=0CCgQ6AEwAw#v=onepage&q&f=false

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Birra e Castigo

BIRRA E CASTIGO



Tatiana Malheiros Assumpção*



Poucas coisas conseguem por à prova a paciência e a tranqüilidade dos pais como a birra dos filhos. Não é raro ver situações em que os adultos parecem tão perdidos e descontrolados quanto as crianças. Mas, afinal...



O que é a birra?



A birra, ou raiva passageira, é uma forma imatura de expressar ira ou aborrecimento. Geralmente, manifesta-se através de choro, gritos, pontapés nos móveis, cabeçadas na parede... As crianças ficam vermelhas e depois roxas, chegam a perder o fôlego. Não é nada fácil continuar calmo com um escândalo desses!

Apesar de incômodas, as birras fazem parte do desenvolvimento normal, estando presentes, principalmente, na fase que vai de uma a três ou quatro anos de idade. Na idade escolar, elas já devem ter desaparecido ou ser bastante raras. Obviamente, há diferenças entre as crianças, segundo seu temperamento, sendo que algumas são mais sossegadas que outras. No entanto, uma criança quieta e tranqüila demais é mais motivo de preocupação que outra, que faz birras de vez em quando.



1. Quais são seus motivos?

O surgimento das birras está ligado a processos de autonomização das crianças, ou seja, ao fato de que elas, conforme crescem, vão se tornando mais independentes. O problema é que isso começa a ocorrer num período em que elas ainda são muito pequenas e não podem tomar decisões e cuidar-se sozinhas, levando à vivência de muitas frustrações.

As crianças querem fazer tudo, mexer em tudo, pedir tudo e não podem, por suas próprias limitações. Além disso, os pais devem impedi-las de uma porção de coisas, que não devem ou não podem fazer. Tudo tem seu tempo, mas elas ainda não são capazes de entender isso. Ao contrário dos adultos, as crianças ainda não conseguem adiar um prazer para depois ou esperar para concretizar seus desejos. Querem tudo para já! Isso acontece porque elas ainda não têm a noção de tempo e de futuro, tornando a espera em algo muito difícil. Conforme elas vão crescendo e esse desejo de “quero tudo agora” vai sendo superado, as birras vão diminuindo gradualmente.

Também não se pode esquecer que muitos daqueles que são descritos como maus comportamentos são, na verdade, atitudes que contrariam as idealizações dos pais.



2. Como lidar com a birra?

Para começar, deve-se ensinar as crianças que a birra não funciona e que os pais não mudarão de opinião por causa delas. Por volta dos três anos de idade, já se pode começar a ensinar as crianças a expressar seus sentimentos com palavras, já que sentir raiva é normal, mas devemos expressa-la de forma apropriada. (Dizendo, por exemplo, “você está com raiva porque...”).

Quando ele conseguir se controlar, expressando-se corretamente e mostrando-se disposto a cooperar, elogie-o! Não se pode esquecer que todos, as crianças inclusive, gostam de ser reconhecidos em seus esforços e sucessos!

Os critérios de certo e errado também devem ser estáveis e coerentes, para que a criança possa saber exatamente o que pode ou não fazer. Se os pais não conseguem concordar entre si quanto às normas para os filhos, ou se mudam de idéia conforme seu humor, a criança ficará sempre insegura e com medo, sem nunca saber a quais regras deve obedecer. Educa bem quem usa bem as palavras e os atos, acompanhados de “olho no olho” e silêncios cheios de sentido; acertam na educação dos filhos os pais que sabem escutar. Pais que usam palavras vazias e que fingem ser “o amigão”, abrindo mão de sua autoridade de pais podem estar cometendo uma “fraude educativa”. Castigos e punições excessivos, como também prêmios sem merecimento, podem causar um efeito negativo na formação das crianças.

O melhor a fazer é prevenir, tomando as precauções possíveis para que as crises não ocorram. Muitas crianças tendem a fazer mais pirraças quando estão muito cansadas ou animadas, com fome ou doentes, pois tornam-se menos capazes de enfrentar situações frustrantes. Assim, evitar que a criança fique muito cansada ou excitada faz com que seja possível controlar melhor suas emoções. Interromper ou mudar atividades que sejam muito complexas para ela também ajuda, pois impede que se frustre por não conseguir fazer o que quer.



LEMBRE-SE: O processo educacional deve ser de caráter preventivo e contínuo (e não apenas sermões e surras na hora das crises). Mas nem sempre a prevenção funciona.



Nesse caso, o melhor é começar pelo que não fazer. Os pais devem ser um bom modelo de auto-controle, sem perder a calma, sem gritar e sem bater na hora de lidar com as birras dos filhos. Muitas vezes, o mais difícil quando se enfrenta uma criança muito irritada é controlar a própria raiva. (E há pais que acabam fazendo “pirraças de adultos” em resposta às birras dos filhos!).

Também não se deve ceder, pois então a criança pode encontrar nas birras um modo de conseguir tudo o que quer, tornando o comportamento cada vez pior. As explicações podem ser oportunas, mas apenas depois que a crise passar. Tentar explicar qualquer coisa durante um ataque de raiva é perda de tempo.

Sabido o que não fazer, vamos passar agora ao que pode ser feito, uma vez que as birras já estejam em andamento:

Apoiar e estimular a criança que faz birra por frustração ou cansaço: se a criança não consegue fazer algo (por exemplo, um jogo mais complexo ou o dever de casa), o melhor é demonstrar compreensão e oferecer ajuda. Levar uma bronca porque não conseguiu resolver o problema de matemática só piora a decepção da criança consigo mesma.

Não dar importância para as birras motivadas pelo desejo de chamar a atenção ou conseguir algo: enquanto a criança continuar no lugar e não apresentar comportamento destrutivo, pode-se deixá-la fazer pirraça tranqüilamente. Muitas vezes, se vence pelo cansaço. Expressar seu desagrado com palavras, sem perder o controle e sem discutir, e mudar de cômodo também ajudam. Depois que a crise passar, deve-se assumir uma atitude amistosa e normalizar as coisas. (Lembre-se: birra de adulto só piora o problema!).

Arrastar fisicamente a criança que tem uma birra porque não quer fazer algo importante: se a criança se nega a fazer algo sem importância, como tomar um lanche ou descansar na cama ao invés do sofá, ignore o problema antes que aconteça a birra. Por outro lado, se a criança se recusar a fazer algo importante, como ir para a escola ou deitar-se para dormir, obrigue-a a cumprir o dever e ignore as birras. Avisar alguns minutos antes que tal ou qual coisa deverá ser feita pode evitar algumas crises, mas se a birra começou, deixe que se estenda por dois ou três minutos e leve a crianças para onde tem que ir, mesmo que seja necessário puxá-la pelos braços (sem violência).

Utilizar castigos temporários se a criança tem comportamentos perturbadores ou destrutivos, lembrando sempre que os castigos devem ter por objetivo dar normas e limites a ela: levar a criança para seu quarto e mandar que fique lá por alguns minutos (três a cinco) serve como punição para comportamentos inaceitáveis (como agressão física ou destruição de objetos da casa).

Dominar a criança quando ela tiver birras que possam causar danos ou machucar alguém: se a criança perder o controle totalmente, pode ser necessário contê-la fisicamente (a melhor forma é segurando-a por trás, mantendo seu corpo em contato com as costas dela e os braços ao redor de seu corpo, segurando os dela). Deve-se fazer isso também quando a criança corre o risco de se machucar (por exemplo, quando se joga violentamente para trás), mantendo-a no colo até que ela se acalme e comece a relaxar.

Se as birras acontecem em locais públicos, o melhor a fazer é agir como em casa: levar a criança para um canto e esperar que se acalme. A prevenção também funciona, evitando levar a criança a situações que ela não é capaz de suportar (um dia de compras muito longo, por exemplo) e procurando distraí-la enquanto se faz outra atividade.



3. E as famosas palmadas?

Embora um tapa e um espancamento sejam diferentes, o princípio que rege os dois tipos de atitude é exatamente o mesmo: utilizar a força, o poder e o medo para conseguir alguma coisa. No caso das crianças, que obedeçam alguma ordem ou que interrompam um comportamento inadequado ou uma crise de birra. O problema é que bater em crianças pode resolver o problema no momento, mas é um ótimo jeito de criar monstrinhos no futuro.

Uma surra pode ter um efeito imediato, mas a longo prazo a criança voltará a ter o mesmo comportamento anterior. Afinal, o fato de dar um tapa ou uma surra por causa de um comportamento errado não fará com que o comportamento certo apareça. A criança precisa ser ensinada a fazer o que é certo, através de explicações e conversas. Muitas vezes, a criança faz algo de errado sem saber que aquilo não podia ser feito.

Na verdade, muitos pais preferem a surra porque é mais fácil e toma menos tempo que uma conversa, além de fazer com que a criança pare imediatamente de ter o mau comportamento (afinal, dor e choro são incompatíveis com qualquer outra atividade). Mas, como já foi visto, essa interrupção é apenas temporária, enquanto a dor (ou sua lembrança) estiver lá e a pessoa que deu o castigo estiver por perto.

O castigo físico provoca reações emocionais, como medo, choro e ansiedade, que podem aparecer em outras situações que não as de punição. Se as surras forem muito intensas ou freqüentes, essas respostas emocionais podem se tornar parte da personalidade dessas crianças, prejudicando-as para o resto de suas vidas. Além disso, a palmada não resolve os conflitos entre pais e filhos e pode piorar cada vez mais as relações, pois em vez de pensar no que fez, a criança fica com raiva de quem a agrediu e perde a confiança nos pais, que é a base para que ela se sinta amparada e segura em sua vida.

Por outro lado, a criança pode aprender que é através da agressão física que se consegue o que se quer, passando a apresentar condutas agressivas em casa e na escola e a esconder tudo o que fizeram com medo da punição.

Outras conseqüências negativas do castigo físico contra crianças são:

- Auto-estima negativa

- Comportamento agressivo

- Dificuldades de relacionamento

- Dificuldades em acreditar nos outros

- Infelicidade generalizada

- Mau desempenho na escola



4. E se a birra não for normal?

Apesar de tudo, existem situações em que as birras saem do controle e as medidas que discutimos são ineficazes ou insuficientes. Nesse caso, é necessário um auxílio profissional (de médicos ou psicólogos), que estejam habilitados a atender crianças no seu dia a dia.

Deve-se procurar ajuda se:

- A criança se machucar ou machucar os outros durante as birras

- As birras ocorrerem cinco ou mais vezes por dia

- As birras também acontecerem na escola

- A criança tiver vários outros problemas de comportamento

- Algum dos pais (ou cuidadores) também tiver episódios de raiva, gritos ou agressividade e não conseguir se controlar

- As recomendações contidas neste folheto não surtirem efeito em duas semanas

- Restarem outras dúvidas ou preocupações

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Resolução do CFP proíbe Psicólogos de avaliarem presos para progressão de Pena

A notícia foi veiculada pelo canal G1 de notícias, e tem causado polêmica não só entre os psicólogos.

Desde junho, uma resolução do Conselho Federal de Psicologia proíbe psicólogos que trabalham no sistema prisional de realizarem o exame que, em tese, deveria dizer se o preso está ou não em condições de retornar à sociedade.

O conselho argumenta que os profissionais tem pouco tempo para elaborar o laudo, trabalham em condições impróprias e nem sempre tem condições de prever como será o comportamento do preso fora da cadeia.

Atualmente o ministério público federal move um inquérito para avaliar se a resolução é ou não válida, pois se questiona se o CFP tem autonomia para tomar este tipo de decisão.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Criatividade aumenta quando se vive novas experiências

Estudos mostram que conhecer outras culturas proporciona uma melhor visão de mundo

É possivel notar diferenças das pessoas que vivenciaram outras culturas
É possivel notar diferenças das pessoas que vivenciaram outras culturas

Viagens turísticas, intercâmbios, passeios em outros países ou mesmo regiões diferentes são ótimos para o enriquecimento de cultura, língua e conhecimento. Conhecer novos lugares, novos hábitos, comidas típicas, artes, costumes e tradições fazem com que o cidadão tenha outra visão de mundo.

Além de toda esta experiência, um fator que foi pesquisado há pouco tempo é com relação à criatividade. Estudos recentes mostram que comparando estudantes que já viveram em outro país com os que nunca saíram da sua terra de origem, é possível encontrar várias diferenças.

Aqueles que “sentiram na pele” a convivência com outros povos mostraram-se com maiores índices de criatividade em vários testes. Os especialistas afirmam que a aprendizagem multicultural é um processo crítico de adaptação, agindo como catalisador da criatividade. Eles ainda a relacionam com a chamada “mente aberta”.

“O estudo é muito interessante, pois mostra que quando conhecemos culturas diferentes, recebemos mais estímulos que acabam por favorecer a criatividade. A adaptação aos novos estilos de vida e culturas também agregam valores que podem ser utilizados de forma criativas no meio em que se vive”, analisa a psicóloga e tutora do Portal Educação, Denise Marcon.
Autores como William W. Maddux, Haio Adam e Adam D. Galinsky abordaram em algumas obras sobre as mudanças estruturais no cérebro que ocorrem durante as experiências de aprendizagem intensiva. Segundo eles, ainda é preciso focar os estudos para ver se ocorrem alterações neurológicas no processo criativo intensivo durante as experiências culturais no exterior.

Fonte: Portal Educação