Duas sugestões de texto de Ética
1. Franklin Leopoldo e Silva; Ética e Situações-Limite
versão digital:
http://revistacult.uol.com.br/home/2010/04/etica-e-situacoes-limite/
2. Claudio Cohen, Marco Segre; Definição de Valores, Moral, Éticicade e Ética
Bioética, Capítulo 1 (páginas 17 a 26)
Versão digital:
http://books.google.com.br/books?id=uVW_UZ66bC0C&pg=PA17&lpg=PA17&dq=%22defini%C3%A7%C3%A3o+de+valores,+moral,+eticidade+e+etica%22&source=bl&ots=i20yxfEe3Y&sig=8qrj92S49IAAp4QuyJ-OSVK8Hl0&hl=pt-br&ei=eBKBTYXhMZSWtwfU6PTICA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=4&ved=0CCgQ6AEwAw#v=onepage&q&f=false
quinta-feira, 17 de março de 2011
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Birra e Castigo
BIRRA E CASTIGO
Tatiana Malheiros Assumpção*
Poucas coisas conseguem por à prova a paciência e a tranqüilidade dos pais como a birra dos filhos. Não é raro ver situações em que os adultos parecem tão perdidos e descontrolados quanto as crianças. Mas, afinal...
O que é a birra?
A birra, ou raiva passageira, é uma forma imatura de expressar ira ou aborrecimento. Geralmente, manifesta-se através de choro, gritos, pontapés nos móveis, cabeçadas na parede... As crianças ficam vermelhas e depois roxas, chegam a perder o fôlego. Não é nada fácil continuar calmo com um escândalo desses!
Apesar de incômodas, as birras fazem parte do desenvolvimento normal, estando presentes, principalmente, na fase que vai de uma a três ou quatro anos de idade. Na idade escolar, elas já devem ter desaparecido ou ser bastante raras. Obviamente, há diferenças entre as crianças, segundo seu temperamento, sendo que algumas são mais sossegadas que outras. No entanto, uma criança quieta e tranqüila demais é mais motivo de preocupação que outra, que faz birras de vez em quando.
1. Quais são seus motivos?
O surgimento das birras está ligado a processos de autonomização das crianças, ou seja, ao fato de que elas, conforme crescem, vão se tornando mais independentes. O problema é que isso começa a ocorrer num período em que elas ainda são muito pequenas e não podem tomar decisões e cuidar-se sozinhas, levando à vivência de muitas frustrações.
As crianças querem fazer tudo, mexer em tudo, pedir tudo e não podem, por suas próprias limitações. Além disso, os pais devem impedi-las de uma porção de coisas, que não devem ou não podem fazer. Tudo tem seu tempo, mas elas ainda não são capazes de entender isso. Ao contrário dos adultos, as crianças ainda não conseguem adiar um prazer para depois ou esperar para concretizar seus desejos. Querem tudo para já! Isso acontece porque elas ainda não têm a noção de tempo e de futuro, tornando a espera em algo muito difícil. Conforme elas vão crescendo e esse desejo de “quero tudo agora” vai sendo superado, as birras vão diminuindo gradualmente.
Também não se pode esquecer que muitos daqueles que são descritos como maus comportamentos são, na verdade, atitudes que contrariam as idealizações dos pais.
2. Como lidar com a birra?
Para começar, deve-se ensinar as crianças que a birra não funciona e que os pais não mudarão de opinião por causa delas. Por volta dos três anos de idade, já se pode começar a ensinar as crianças a expressar seus sentimentos com palavras, já que sentir raiva é normal, mas devemos expressa-la de forma apropriada. (Dizendo, por exemplo, “você está com raiva porque...”).
Quando ele conseguir se controlar, expressando-se corretamente e mostrando-se disposto a cooperar, elogie-o! Não se pode esquecer que todos, as crianças inclusive, gostam de ser reconhecidos em seus esforços e sucessos!
Os critérios de certo e errado também devem ser estáveis e coerentes, para que a criança possa saber exatamente o que pode ou não fazer. Se os pais não conseguem concordar entre si quanto às normas para os filhos, ou se mudam de idéia conforme seu humor, a criança ficará sempre insegura e com medo, sem nunca saber a quais regras deve obedecer. Educa bem quem usa bem as palavras e os atos, acompanhados de “olho no olho” e silêncios cheios de sentido; acertam na educação dos filhos os pais que sabem escutar. Pais que usam palavras vazias e que fingem ser “o amigão”, abrindo mão de sua autoridade de pais podem estar cometendo uma “fraude educativa”. Castigos e punições excessivos, como também prêmios sem merecimento, podem causar um efeito negativo na formação das crianças.
O melhor a fazer é prevenir, tomando as precauções possíveis para que as crises não ocorram. Muitas crianças tendem a fazer mais pirraças quando estão muito cansadas ou animadas, com fome ou doentes, pois tornam-se menos capazes de enfrentar situações frustrantes. Assim, evitar que a criança fique muito cansada ou excitada faz com que seja possível controlar melhor suas emoções. Interromper ou mudar atividades que sejam muito complexas para ela também ajuda, pois impede que se frustre por não conseguir fazer o que quer.
LEMBRE-SE: O processo educacional deve ser de caráter preventivo e contínuo (e não apenas sermões e surras na hora das crises). Mas nem sempre a prevenção funciona.
Nesse caso, o melhor é começar pelo que não fazer. Os pais devem ser um bom modelo de auto-controle, sem perder a calma, sem gritar e sem bater na hora de lidar com as birras dos filhos. Muitas vezes, o mais difícil quando se enfrenta uma criança muito irritada é controlar a própria raiva. (E há pais que acabam fazendo “pirraças de adultos” em resposta às birras dos filhos!).
Também não se deve ceder, pois então a criança pode encontrar nas birras um modo de conseguir tudo o que quer, tornando o comportamento cada vez pior. As explicações podem ser oportunas, mas apenas depois que a crise passar. Tentar explicar qualquer coisa durante um ataque de raiva é perda de tempo.
Sabido o que não fazer, vamos passar agora ao que pode ser feito, uma vez que as birras já estejam em andamento:
Apoiar e estimular a criança que faz birra por frustração ou cansaço: se a criança não consegue fazer algo (por exemplo, um jogo mais complexo ou o dever de casa), o melhor é demonstrar compreensão e oferecer ajuda. Levar uma bronca porque não conseguiu resolver o problema de matemática só piora a decepção da criança consigo mesma.
Não dar importância para as birras motivadas pelo desejo de chamar a atenção ou conseguir algo: enquanto a criança continuar no lugar e não apresentar comportamento destrutivo, pode-se deixá-la fazer pirraça tranqüilamente. Muitas vezes, se vence pelo cansaço. Expressar seu desagrado com palavras, sem perder o controle e sem discutir, e mudar de cômodo também ajudam. Depois que a crise passar, deve-se assumir uma atitude amistosa e normalizar as coisas. (Lembre-se: birra de adulto só piora o problema!).
Arrastar fisicamente a criança que tem uma birra porque não quer fazer algo importante: se a criança se nega a fazer algo sem importância, como tomar um lanche ou descansar na cama ao invés do sofá, ignore o problema antes que aconteça a birra. Por outro lado, se a criança se recusar a fazer algo importante, como ir para a escola ou deitar-se para dormir, obrigue-a a cumprir o dever e ignore as birras. Avisar alguns minutos antes que tal ou qual coisa deverá ser feita pode evitar algumas crises, mas se a birra começou, deixe que se estenda por dois ou três minutos e leve a crianças para onde tem que ir, mesmo que seja necessário puxá-la pelos braços (sem violência).
Utilizar castigos temporários se a criança tem comportamentos perturbadores ou destrutivos, lembrando sempre que os castigos devem ter por objetivo dar normas e limites a ela: levar a criança para seu quarto e mandar que fique lá por alguns minutos (três a cinco) serve como punição para comportamentos inaceitáveis (como agressão física ou destruição de objetos da casa).
Dominar a criança quando ela tiver birras que possam causar danos ou machucar alguém: se a criança perder o controle totalmente, pode ser necessário contê-la fisicamente (a melhor forma é segurando-a por trás, mantendo seu corpo em contato com as costas dela e os braços ao redor de seu corpo, segurando os dela). Deve-se fazer isso também quando a criança corre o risco de se machucar (por exemplo, quando se joga violentamente para trás), mantendo-a no colo até que ela se acalme e comece a relaxar.
Se as birras acontecem em locais públicos, o melhor a fazer é agir como em casa: levar a criança para um canto e esperar que se acalme. A prevenção também funciona, evitando levar a criança a situações que ela não é capaz de suportar (um dia de compras muito longo, por exemplo) e procurando distraí-la enquanto se faz outra atividade.
3. E as famosas palmadas?
Embora um tapa e um espancamento sejam diferentes, o princípio que rege os dois tipos de atitude é exatamente o mesmo: utilizar a força, o poder e o medo para conseguir alguma coisa. No caso das crianças, que obedeçam alguma ordem ou que interrompam um comportamento inadequado ou uma crise de birra. O problema é que bater em crianças pode resolver o problema no momento, mas é um ótimo jeito de criar monstrinhos no futuro.
Uma surra pode ter um efeito imediato, mas a longo prazo a criança voltará a ter o mesmo comportamento anterior. Afinal, o fato de dar um tapa ou uma surra por causa de um comportamento errado não fará com que o comportamento certo apareça. A criança precisa ser ensinada a fazer o que é certo, através de explicações e conversas. Muitas vezes, a criança faz algo de errado sem saber que aquilo não podia ser feito.
Na verdade, muitos pais preferem a surra porque é mais fácil e toma menos tempo que uma conversa, além de fazer com que a criança pare imediatamente de ter o mau comportamento (afinal, dor e choro são incompatíveis com qualquer outra atividade). Mas, como já foi visto, essa interrupção é apenas temporária, enquanto a dor (ou sua lembrança) estiver lá e a pessoa que deu o castigo estiver por perto.
O castigo físico provoca reações emocionais, como medo, choro e ansiedade, que podem aparecer em outras situações que não as de punição. Se as surras forem muito intensas ou freqüentes, essas respostas emocionais podem se tornar parte da personalidade dessas crianças, prejudicando-as para o resto de suas vidas. Além disso, a palmada não resolve os conflitos entre pais e filhos e pode piorar cada vez mais as relações, pois em vez de pensar no que fez, a criança fica com raiva de quem a agrediu e perde a confiança nos pais, que é a base para que ela se sinta amparada e segura em sua vida.
Por outro lado, a criança pode aprender que é através da agressão física que se consegue o que se quer, passando a apresentar condutas agressivas em casa e na escola e a esconder tudo o que fizeram com medo da punição.
Outras conseqüências negativas do castigo físico contra crianças são:
- Auto-estima negativa
- Comportamento agressivo
- Dificuldades de relacionamento
- Dificuldades em acreditar nos outros
- Infelicidade generalizada
- Mau desempenho na escola
4. E se a birra não for normal?
Apesar de tudo, existem situações em que as birras saem do controle e as medidas que discutimos são ineficazes ou insuficientes. Nesse caso, é necessário um auxílio profissional (de médicos ou psicólogos), que estejam habilitados a atender crianças no seu dia a dia.
Deve-se procurar ajuda se:
- A criança se machucar ou machucar os outros durante as birras
- As birras ocorrerem cinco ou mais vezes por dia
- As birras também acontecerem na escola
- A criança tiver vários outros problemas de comportamento
- Algum dos pais (ou cuidadores) também tiver episódios de raiva, gritos ou agressividade e não conseguir se controlar
- As recomendações contidas neste folheto não surtirem efeito em duas semanas
- Restarem outras dúvidas ou preocupações
Tatiana Malheiros Assumpção*
Poucas coisas conseguem por à prova a paciência e a tranqüilidade dos pais como a birra dos filhos. Não é raro ver situações em que os adultos parecem tão perdidos e descontrolados quanto as crianças. Mas, afinal...
O que é a birra?
A birra, ou raiva passageira, é uma forma imatura de expressar ira ou aborrecimento. Geralmente, manifesta-se através de choro, gritos, pontapés nos móveis, cabeçadas na parede... As crianças ficam vermelhas e depois roxas, chegam a perder o fôlego. Não é nada fácil continuar calmo com um escândalo desses!
Apesar de incômodas, as birras fazem parte do desenvolvimento normal, estando presentes, principalmente, na fase que vai de uma a três ou quatro anos de idade. Na idade escolar, elas já devem ter desaparecido ou ser bastante raras. Obviamente, há diferenças entre as crianças, segundo seu temperamento, sendo que algumas são mais sossegadas que outras. No entanto, uma criança quieta e tranqüila demais é mais motivo de preocupação que outra, que faz birras de vez em quando.
1. Quais são seus motivos?
O surgimento das birras está ligado a processos de autonomização das crianças, ou seja, ao fato de que elas, conforme crescem, vão se tornando mais independentes. O problema é que isso começa a ocorrer num período em que elas ainda são muito pequenas e não podem tomar decisões e cuidar-se sozinhas, levando à vivência de muitas frustrações.
As crianças querem fazer tudo, mexer em tudo, pedir tudo e não podem, por suas próprias limitações. Além disso, os pais devem impedi-las de uma porção de coisas, que não devem ou não podem fazer. Tudo tem seu tempo, mas elas ainda não são capazes de entender isso. Ao contrário dos adultos, as crianças ainda não conseguem adiar um prazer para depois ou esperar para concretizar seus desejos. Querem tudo para já! Isso acontece porque elas ainda não têm a noção de tempo e de futuro, tornando a espera em algo muito difícil. Conforme elas vão crescendo e esse desejo de “quero tudo agora” vai sendo superado, as birras vão diminuindo gradualmente.
Também não se pode esquecer que muitos daqueles que são descritos como maus comportamentos são, na verdade, atitudes que contrariam as idealizações dos pais.
2. Como lidar com a birra?
Para começar, deve-se ensinar as crianças que a birra não funciona e que os pais não mudarão de opinião por causa delas. Por volta dos três anos de idade, já se pode começar a ensinar as crianças a expressar seus sentimentos com palavras, já que sentir raiva é normal, mas devemos expressa-la de forma apropriada. (Dizendo, por exemplo, “você está com raiva porque...”).
Quando ele conseguir se controlar, expressando-se corretamente e mostrando-se disposto a cooperar, elogie-o! Não se pode esquecer que todos, as crianças inclusive, gostam de ser reconhecidos em seus esforços e sucessos!
Os critérios de certo e errado também devem ser estáveis e coerentes, para que a criança possa saber exatamente o que pode ou não fazer. Se os pais não conseguem concordar entre si quanto às normas para os filhos, ou se mudam de idéia conforme seu humor, a criança ficará sempre insegura e com medo, sem nunca saber a quais regras deve obedecer. Educa bem quem usa bem as palavras e os atos, acompanhados de “olho no olho” e silêncios cheios de sentido; acertam na educação dos filhos os pais que sabem escutar. Pais que usam palavras vazias e que fingem ser “o amigão”, abrindo mão de sua autoridade de pais podem estar cometendo uma “fraude educativa”. Castigos e punições excessivos, como também prêmios sem merecimento, podem causar um efeito negativo na formação das crianças.
O melhor a fazer é prevenir, tomando as precauções possíveis para que as crises não ocorram. Muitas crianças tendem a fazer mais pirraças quando estão muito cansadas ou animadas, com fome ou doentes, pois tornam-se menos capazes de enfrentar situações frustrantes. Assim, evitar que a criança fique muito cansada ou excitada faz com que seja possível controlar melhor suas emoções. Interromper ou mudar atividades que sejam muito complexas para ela também ajuda, pois impede que se frustre por não conseguir fazer o que quer.
LEMBRE-SE: O processo educacional deve ser de caráter preventivo e contínuo (e não apenas sermões e surras na hora das crises). Mas nem sempre a prevenção funciona.
Nesse caso, o melhor é começar pelo que não fazer. Os pais devem ser um bom modelo de auto-controle, sem perder a calma, sem gritar e sem bater na hora de lidar com as birras dos filhos. Muitas vezes, o mais difícil quando se enfrenta uma criança muito irritada é controlar a própria raiva. (E há pais que acabam fazendo “pirraças de adultos” em resposta às birras dos filhos!).
Também não se deve ceder, pois então a criança pode encontrar nas birras um modo de conseguir tudo o que quer, tornando o comportamento cada vez pior. As explicações podem ser oportunas, mas apenas depois que a crise passar. Tentar explicar qualquer coisa durante um ataque de raiva é perda de tempo.
Sabido o que não fazer, vamos passar agora ao que pode ser feito, uma vez que as birras já estejam em andamento:
Apoiar e estimular a criança que faz birra por frustração ou cansaço: se a criança não consegue fazer algo (por exemplo, um jogo mais complexo ou o dever de casa), o melhor é demonstrar compreensão e oferecer ajuda. Levar uma bronca porque não conseguiu resolver o problema de matemática só piora a decepção da criança consigo mesma.
Não dar importância para as birras motivadas pelo desejo de chamar a atenção ou conseguir algo: enquanto a criança continuar no lugar e não apresentar comportamento destrutivo, pode-se deixá-la fazer pirraça tranqüilamente. Muitas vezes, se vence pelo cansaço. Expressar seu desagrado com palavras, sem perder o controle e sem discutir, e mudar de cômodo também ajudam. Depois que a crise passar, deve-se assumir uma atitude amistosa e normalizar as coisas. (Lembre-se: birra de adulto só piora o problema!).
Arrastar fisicamente a criança que tem uma birra porque não quer fazer algo importante: se a criança se nega a fazer algo sem importância, como tomar um lanche ou descansar na cama ao invés do sofá, ignore o problema antes que aconteça a birra. Por outro lado, se a criança se recusar a fazer algo importante, como ir para a escola ou deitar-se para dormir, obrigue-a a cumprir o dever e ignore as birras. Avisar alguns minutos antes que tal ou qual coisa deverá ser feita pode evitar algumas crises, mas se a birra começou, deixe que se estenda por dois ou três minutos e leve a crianças para onde tem que ir, mesmo que seja necessário puxá-la pelos braços (sem violência).
Utilizar castigos temporários se a criança tem comportamentos perturbadores ou destrutivos, lembrando sempre que os castigos devem ter por objetivo dar normas e limites a ela: levar a criança para seu quarto e mandar que fique lá por alguns minutos (três a cinco) serve como punição para comportamentos inaceitáveis (como agressão física ou destruição de objetos da casa).
Dominar a criança quando ela tiver birras que possam causar danos ou machucar alguém: se a criança perder o controle totalmente, pode ser necessário contê-la fisicamente (a melhor forma é segurando-a por trás, mantendo seu corpo em contato com as costas dela e os braços ao redor de seu corpo, segurando os dela). Deve-se fazer isso também quando a criança corre o risco de se machucar (por exemplo, quando se joga violentamente para trás), mantendo-a no colo até que ela se acalme e comece a relaxar.
Se as birras acontecem em locais públicos, o melhor a fazer é agir como em casa: levar a criança para um canto e esperar que se acalme. A prevenção também funciona, evitando levar a criança a situações que ela não é capaz de suportar (um dia de compras muito longo, por exemplo) e procurando distraí-la enquanto se faz outra atividade.
3. E as famosas palmadas?
Embora um tapa e um espancamento sejam diferentes, o princípio que rege os dois tipos de atitude é exatamente o mesmo: utilizar a força, o poder e o medo para conseguir alguma coisa. No caso das crianças, que obedeçam alguma ordem ou que interrompam um comportamento inadequado ou uma crise de birra. O problema é que bater em crianças pode resolver o problema no momento, mas é um ótimo jeito de criar monstrinhos no futuro.
Uma surra pode ter um efeito imediato, mas a longo prazo a criança voltará a ter o mesmo comportamento anterior. Afinal, o fato de dar um tapa ou uma surra por causa de um comportamento errado não fará com que o comportamento certo apareça. A criança precisa ser ensinada a fazer o que é certo, através de explicações e conversas. Muitas vezes, a criança faz algo de errado sem saber que aquilo não podia ser feito.
Na verdade, muitos pais preferem a surra porque é mais fácil e toma menos tempo que uma conversa, além de fazer com que a criança pare imediatamente de ter o mau comportamento (afinal, dor e choro são incompatíveis com qualquer outra atividade). Mas, como já foi visto, essa interrupção é apenas temporária, enquanto a dor (ou sua lembrança) estiver lá e a pessoa que deu o castigo estiver por perto.
O castigo físico provoca reações emocionais, como medo, choro e ansiedade, que podem aparecer em outras situações que não as de punição. Se as surras forem muito intensas ou freqüentes, essas respostas emocionais podem se tornar parte da personalidade dessas crianças, prejudicando-as para o resto de suas vidas. Além disso, a palmada não resolve os conflitos entre pais e filhos e pode piorar cada vez mais as relações, pois em vez de pensar no que fez, a criança fica com raiva de quem a agrediu e perde a confiança nos pais, que é a base para que ela se sinta amparada e segura em sua vida.
Por outro lado, a criança pode aprender que é através da agressão física que se consegue o que se quer, passando a apresentar condutas agressivas em casa e na escola e a esconder tudo o que fizeram com medo da punição.
Outras conseqüências negativas do castigo físico contra crianças são:
- Auto-estima negativa
- Comportamento agressivo
- Dificuldades de relacionamento
- Dificuldades em acreditar nos outros
- Infelicidade generalizada
- Mau desempenho na escola
4. E se a birra não for normal?
Apesar de tudo, existem situações em que as birras saem do controle e as medidas que discutimos são ineficazes ou insuficientes. Nesse caso, é necessário um auxílio profissional (de médicos ou psicólogos), que estejam habilitados a atender crianças no seu dia a dia.
Deve-se procurar ajuda se:
- A criança se machucar ou machucar os outros durante as birras
- As birras ocorrerem cinco ou mais vezes por dia
- As birras também acontecerem na escola
- A criança tiver vários outros problemas de comportamento
- Algum dos pais (ou cuidadores) também tiver episódios de raiva, gritos ou agressividade e não conseguir se controlar
- As recomendações contidas neste folheto não surtirem efeito em duas semanas
- Restarem outras dúvidas ou preocupações
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Psicologia do Desenvolvimento
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Resolução do CFP proíbe Psicólogos de avaliarem presos para progressão de Pena
A notícia foi veiculada pelo canal G1 de notícias, e tem causado polêmica não só entre os psicólogos.
Desde junho, uma resolução do Conselho Federal de Psicologia proíbe psicólogos que trabalham no sistema prisional de realizarem o exame que, em tese, deveria dizer se o preso está ou não em condições de retornar à sociedade.
O conselho argumenta que os profissionais tem pouco tempo para elaborar o laudo, trabalham em condições impróprias e nem sempre tem condições de prever como será o comportamento do preso fora da cadeia.
Atualmente o ministério público federal move um inquérito para avaliar se a resolução é ou não válida, pois se questiona se o CFP tem autonomia para tomar este tipo de decisão.
Desde junho, uma resolução do Conselho Federal de Psicologia proíbe psicólogos que trabalham no sistema prisional de realizarem o exame que, em tese, deveria dizer se o preso está ou não em condições de retornar à sociedade.
O conselho argumenta que os profissionais tem pouco tempo para elaborar o laudo, trabalham em condições impróprias e nem sempre tem condições de prever como será o comportamento do preso fora da cadeia.
Atualmente o ministério público federal move um inquérito para avaliar se a resolução é ou não válida, pois se questiona se o CFP tem autonomia para tomar este tipo de decisão.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Criatividade aumenta quando se vive novas experiências
Estudos mostram que conhecer outras culturas proporciona uma melhor visão de mundo
É possivel notar diferenças das pessoas que vivenciaram outras culturas
É possivel notar diferenças das pessoas que vivenciaram outras culturas
Viagens turísticas, intercâmbios, passeios em outros países ou mesmo regiões diferentes são ótimos para o enriquecimento de cultura, língua e conhecimento. Conhecer novos lugares, novos hábitos, comidas típicas, artes, costumes e tradições fazem com que o cidadão tenha outra visão de mundo.
Além de toda esta experiência, um fator que foi pesquisado há pouco tempo é com relação à criatividade. Estudos recentes mostram que comparando estudantes que já viveram em outro país com os que nunca saíram da sua terra de origem, é possível encontrar várias diferenças.
Aqueles que “sentiram na pele” a convivência com outros povos mostraram-se com maiores índices de criatividade em vários testes. Os especialistas afirmam que a aprendizagem multicultural é um processo crítico de adaptação, agindo como catalisador da criatividade. Eles ainda a relacionam com a chamada “mente aberta”.
“O estudo é muito interessante, pois mostra que quando conhecemos culturas diferentes, recebemos mais estímulos que acabam por favorecer a criatividade. A adaptação aos novos estilos de vida e culturas também agregam valores que podem ser utilizados de forma criativas no meio em que se vive”, analisa a psicóloga e tutora do Portal Educação, Denise Marcon.
Autores como William W. Maddux, Haio Adam e Adam D. Galinsky abordaram em algumas obras sobre as mudanças estruturais no cérebro que ocorrem durante as experiências de aprendizagem intensiva. Segundo eles, ainda é preciso focar os estudos para ver se ocorrem alterações neurológicas no processo criativo intensivo durante as experiências culturais no exterior.
Fonte: Portal Educação
É possivel notar diferenças das pessoas que vivenciaram outras culturas
É possivel notar diferenças das pessoas que vivenciaram outras culturas
Viagens turísticas, intercâmbios, passeios em outros países ou mesmo regiões diferentes são ótimos para o enriquecimento de cultura, língua e conhecimento. Conhecer novos lugares, novos hábitos, comidas típicas, artes, costumes e tradições fazem com que o cidadão tenha outra visão de mundo.
Além de toda esta experiência, um fator que foi pesquisado há pouco tempo é com relação à criatividade. Estudos recentes mostram que comparando estudantes que já viveram em outro país com os que nunca saíram da sua terra de origem, é possível encontrar várias diferenças.
Aqueles que “sentiram na pele” a convivência com outros povos mostraram-se com maiores índices de criatividade em vários testes. Os especialistas afirmam que a aprendizagem multicultural é um processo crítico de adaptação, agindo como catalisador da criatividade. Eles ainda a relacionam com a chamada “mente aberta”.
“O estudo é muito interessante, pois mostra que quando conhecemos culturas diferentes, recebemos mais estímulos que acabam por favorecer a criatividade. A adaptação aos novos estilos de vida e culturas também agregam valores que podem ser utilizados de forma criativas no meio em que se vive”, analisa a psicóloga e tutora do Portal Educação, Denise Marcon.
Autores como William W. Maddux, Haio Adam e Adam D. Galinsky abordaram em algumas obras sobre as mudanças estruturais no cérebro que ocorrem durante as experiências de aprendizagem intensiva. Segundo eles, ainda é preciso focar os estudos para ver se ocorrem alterações neurológicas no processo criativo intensivo durante as experiências culturais no exterior.
Fonte: Portal Educação
sábado, 31 de julho de 2010
O Mito do amor materno

Em “Um amor conquistado – o mito do amor materno”, Elizabeth Badinter nos mostra de maneira muito clara que o amor materno inato é um mito. Não é “dado”, mas sim, como deixa antever o título da obra, “conquistado”.
Porém, acreditamos em nosso imaginário que tal amor seja algo natural. Algo que nasce com as mulheres, verdadeiro apanágio feminino. Fala-se até de “instinto materno”. E coitadas daquelas que não o têm! Sofrem um certo preconceito, pois falta-lhes qualquer coisa de fundamental!
Essa convicção se dá basicamente por duas razões.
A primeira é devido à imposição feita pela cultura, responsável pelo desenvolvimento do modelo de amor materno conhecido atualmente e com o qual temos convivido desde o século XIX.
A segunda, em uma relação de causalidade circular com a anterior, deve-se à necessidade de se idealizar a relação mãe-filho, idealização que obedece ao desejo de união perfeita, fantasia de completude que protege o indivíduo das ansiedades e medos mais primitivos de separação, abandono e perda.
Desse modo, a mãe é concebida como alguém puro a quem são atribuídos apenas sentimentos nobres de acolhimento, abrigo e continência no que diz respeito a sua cria. A criança, é vista como um ser que se satisfaz total e plenamente com uma relação fusional com ela satisfazendo-a do mesmo modo. (Um exemplo do valor dado à tão sonhada relação, são as expressões artísticas cristãs que retratam sempre a Madona olhando o Menino Jesus com enlevo e este, por sua vez, retribuindo com adoração).
O caráter ambivalente e contraditório desse modelo de vínculo que reúne sentimentos de aprisionamento e possibilidade de individuação, será enfrentado só bem mais tarde na vida, com a entrada do terceiro na relação diádica composta por mãe e filho, cujo primeiro representante e protótipo para os demais é o pai.
Contudo, o amor materno como o conhecemos atualmente, é aquisição bem recente. Os estudos trazidos por Badinter nos fazem ver que nem sempre foi assim. A mãe tinha mais uma função biológica que afetiva, ficando as crianças ao cargo de amas-de-leite que lhes garantiam a sobrevivência física, o suporte emocional e humanização.
A crença do amor materno instintivo, imaculado e incondicional terá importantes conseqüências no exercício da convivência entre pais e filhos, na visão de guarda e na dificuldade que se observa quando se apresentam modificações nos parâmetros de convívio estabelecidos como “naturais e corretos”, como veremos mais adiante.
Todo afeto para se dar precisa de proximidade física e emocional. Deve ser conquistado com e na convivência. É na intimidade das relações construídas no cotidiano que germina, cresce e frutifica.
E o amor materno não foge a essa regra. Não é decorrente, como se crê, da ação de algum instinto. É afeição que, como qualquer outra, necessita de reciprocidade desenvolvida em um relacionamento estreito e contínuo que assegure confiança e familiaridade aos que dele se nutrem.
Se o amor não é dado, não está garantido de antemão, não é fruto de geração espontânea, mas ao contrário, demanda empenho, cuidado e investimento dos que integram uma relação amorosa qualquer que seja ela – entre mãe e filho, entre amantes, ou entre amigos –, por qual motivo vê-se ainda com tantas reservas a atribuição da guarda dos filhos ao pai quando de uma separação conjugal? Talvez devido ao preconceito, medo de contrariar a prática usual, ou mesmo desinformação...
As noções que temos de como as funções e papéis sociais devam ser exercidos é resultado do que Pichón-Rivière (1985) denominou de representação da norma social designada. “[...] um imaginário social dado por idéias, imagens e estereótipos, isto é, representações simbólicas compartilhadas [...] com certa homogeneidade pelas pessoas da época histórica de que se trata”.
Devido a ação desses núcleos de significados imaginários que funcionam como lentes ou crivos de decodificação de comportamentos, alterar a visão de mundo e dos valores sobre os quais assentam as experiências, demanda um tremendo esforço e provoca desconforto não só naqueles que ousam mudar, mas também nos que os cercam.
Esse legado inconsciente e o mito do amor materno são em grande parte responsáveis por um lado, pelas mães que “deixam” a guarda para o pai, ou perdem a guarda sentirem-se, ou serem vistas como mães incompetentes, abandonantes e más e, por outro, os pais que reclamam a guarda, ou a “tiram” das mães sentirem-se, ou serem vistos como indivíduos cruéis e desumanos.
Ora, os atributos de afeto antes referidos não são prerrogativas do amor materno. Não estão adstritos a ele.
O amor paterno também é semeado, alimentado e aprendido no trato diário com os filhos. Nas oscilações da convivência, em meio à ambivalência, é construído e sustentado. Nada difere em possibilidade, da magnitude do amor materno.
Considerar que ambos os “amores” sejam conquistados, portanto legítimos e de igual qualidade não equivale a dizer que não haja diferenças entre eles. Afeto e função maternos e paternos têm suas especificidades por mais difícil que seja estabelecer distinções atualmente.
O que a criança precisa é de quem a olhe e veja como alguém de importância emocional, para nessa mirada poder reconhecer-se como alguém merecedor de amor e “amável”.
A cultura tem protegido as mulheres dando-lhes apoio, guarnecendo-as de modelos e ensinando-as a ser mães. O mesmo não tem se dado em relação ao pai. Abastecê-lo de modelos de paternidade próxima e emocionalmente responsável é desafio para todos nós, homens e mulheres.
Eliana Riberti Nazareth* liananazareth@uol.com.br
Bibliografia: "Um amor conquistado: O mito do amor materno por Elizabeth Badinter, editora Nova Fronteira,1985, Rio de Janeiro,
terça-feira, 27 de julho de 2010
Frase do dia
"Você deve sempre acreditar que pode ser o melhor, mas não deve nunca acreditar que alcançou esse objetivo". Juan Manoel Fangio, piloto de automóvel, ARG, 1911-1995
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Laudo Psicologico/Psiquiatrico
Réus beneficiados, sociedade desprotegida Casos de assassinos que saíram da prisão mesmo considerados perigosos por laudos específicos reacendem a discussão sobre alguns aspectos cruciais da legislação brasileira sobre tratamento aos reclusos, alvo de críticas dos próprios juristas
Adriana Bernardes
Publicação: 25/07/2010 07:31
Duas histórias e um único enredo. Dois sentenciados pela Justiça conquistam o direito de viver em liberdade antes de cumprir a pena a que foram condenados e, logo após deixarem a prisão, voltam a matar. Adaylton Nascimento Neiva, 31 anos, é assassino confesso de 10 mulheres. O pedreiro Ademar de Jesus da Silva, 40 anos, matou sete meninos em Luziânia (GO) em menos de um mês. Dois assassinos em série foram postos na rua pelo Judiciário, apesar da existência de pelo menos dois laudos criminológicos atestarem a periculosidade e a necessidade de tratamento.
Promotores e advogados criminalistas ouvidos pelo Correio discordam sobre o assunto. Até 31 de novembro de 2003, o laudo criminológico era obrigatório para que se concedesse a progressão do regime (veja O que diz a lei). Mas o Congresso Nacional modificou a lei e, a partir de 1º de dezembro de 2003, o exame passou a ser facultativo.
Depois disso, fica a critério do Ministério Público pedir o exame, o que geralmente é feito quando o criminoso comete crimes violentos. Mas o juiz da Vara de Execuções Penais tem autonomia para solicitar ou não a avaliação da equipe de psicólogos e psiquiatras do sistema prisional. Adaylton e Ademar foram submetidos a exames, cujo resultado — demonstrando a periculosidade deles — foi insuficiente para convencer os juízes a manterem os dois criminosos presos.

Promotor de Justiça Criminal do Ministério Público de Minas Gerais, Lélio Braga Calhau
defende o exame, mas diz que há resistência por parte dos juízes e dos advogados criminalistas. “Os juízes acham que ele não é um instrumento confiável para manter ou não o sentenciado na prisão. Já os advogados têm o maior interesse em que seus clientes ganhem logo as ruas”, afirma. “Um exame benfeito aponta se o paciente é sociopata, se ele está ou não manipulando as pessoas para sair antes do fim da pena.”
Contradição
Na avaliação do advogado criminalista e professor de direito penal Raul Livino, o episódio protagonizado por Adaylton e Ademar reflete problemas estruturais da Justiça brasileira. “Como é que um sujeito é condenado ali em Goiás e o juiz do Distrito Federal não tem essa informação on-line, em tempo real? O Estado brasileiro deveria ser responsabilizado por essas tragédias”, defende.
Quanto aos laudos criminológicos, Livino diz que falta clareza aos profissionais que elaboram o documento: “O psiquiatra e o psicólogo atuam numa linha cinzenta, atrapalhando. Esse pessoal tem que ser mais claro, mais preciso. Ou o sentenciado tem condição de viver em sociedade ou não tem. Não pode haver ambiguidade”.
Livino concorda que, em casos como os de Adaylton e de Ademar — em que houve contradição entre o laudo criminológico e os relatórios —, o juiz poderia pedir um novo exame antes de decidir pela progressão do regime. “Mas o direito penal é o direito do miserável. Quem tem dinheiro escapa. O juiz está muito bem-intencionado ao conceder a progressão de regime”, acredita.
Em entrevista ao Correio em 18 de abril de 2010, Ilana Casoy, especialista em serial killers, defendeu a inclusão na legislação brasileira de um artigo específico para essa categoria de criminosos: “É preciso ter um artigo na lei para que as pessoas batam o olho e digam: ‘Esse cara é um assassino em série. É preciso reconhecer a existência dele’”.
O que diz a lei
Redução de pena
A Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984, de Execuções Penais (LEP), estabelece as regras para reduzir a pena de um condenado. Cabe ao juiz da Vara de Execução penal decidir sobre a transferência do regime mais rigoroso para o menos rigoroso, que pode ser o semiaberto, a prisão domiciliar ou o aberto. A decisão do juiz de reduzir a pena precisa ser acompanhada de manifestação do Ministério Público e da Defensoria Pública. O preso que trabalhar poderá diminuir o tempo de pena. A cada três dias trabalhados, é reduzido um dia. O juiz poderá estabelecer condições especiais para a concessão de regime aberto. Determinar horário para voltar para casa, limitar a saída da cidade à concessão de autorização judicial e comparecer à vara para prestar contas são algumas das concessões previstas em lei.
Soltura sem critérios
Promotor Criminal da 2ª Promotoria de Luziânia, Sebastião Marcos Martins diz que, pelo menos nos dois casos que ganharam repercussão na mídia — os de Ademar de Jesus Silva e Adaylton Nascimento Neiva —, havia laudo criminológico, uma exceção à regra. “Na maioria das vezes, o Estado não faz laudo nenhum. A prática é soltar sem qualquer avaliação. A execução penal não funciona. É instituição falida”, lamenta o magistrado.
Na opinião de Maria José Miranda, titular da promotoria do Júri de Brasília e da Promotoria de Execuções Penais e Medidas Alternativas, os dois casos são um reflexo da permissividade da lei penal brasileira: “Culturalmente, o nosso sistema jurídico é altamente protetor do criminoso. É garantista, minimalista, abolicionista e protecionista de criminoso. Isso se reverte em desproteção da sociedade ordeira, das pessoas de bem.”
A promotora é uma crítica ferrenha de duas alterações na legislação brasileira: a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou a Lei de Crimes Hediondos inconstitucional (leia Para saber mais) e a mudança que acabou com a obrigatoriedade do laudo criminológico para conceder a progressão de regime. “Se o Ministério da Justiça estivesse preocupado em zelar pela sociedade, teria investido na contratação de profissionais para que os exames fossem feitos dentro do prazo, sem atrasar o direito do preso e não abolir a obrigatoriedade da avaliação”, defende.
Para saber mais
Mudança legal
Depois que a Lei dos Crimes Hediondos foi considerada inconstitucional, em 2006, os condenados por assassinatos, estupros e extorsão mediante sequestro passaram a ter o direito de progressão de regime após cumprirem um sexto da pena. Ou seja, condenados a 30 anos de cadeia podem obter a liberdade depois de ficar apenas cinco anos em reclusão. Antes da decisão do STF, eles só ganhavam as ruas após 20 anos presos. Agora, vale a lei de execuções penais: basta cumprir um sexto da pena para ter direito à progressão de regime.
Adriana Bernardes
Publicação: 25/07/2010 07:31
Duas histórias e um único enredo. Dois sentenciados pela Justiça conquistam o direito de viver em liberdade antes de cumprir a pena a que foram condenados e, logo após deixarem a prisão, voltam a matar. Adaylton Nascimento Neiva, 31 anos, é assassino confesso de 10 mulheres. O pedreiro Ademar de Jesus da Silva, 40 anos, matou sete meninos em Luziânia (GO) em menos de um mês. Dois assassinos em série foram postos na rua pelo Judiciário, apesar da existência de pelo menos dois laudos criminológicos atestarem a periculosidade e a necessidade de tratamento.
Promotores e advogados criminalistas ouvidos pelo Correio discordam sobre o assunto. Até 31 de novembro de 2003, o laudo criminológico era obrigatório para que se concedesse a progressão do regime (veja O que diz a lei). Mas o Congresso Nacional modificou a lei e, a partir de 1º de dezembro de 2003, o exame passou a ser facultativo.
Depois disso, fica a critério do Ministério Público pedir o exame, o que geralmente é feito quando o criminoso comete crimes violentos. Mas o juiz da Vara de Execuções Penais tem autonomia para solicitar ou não a avaliação da equipe de psicólogos e psiquiatras do sistema prisional. Adaylton e Ademar foram submetidos a exames, cujo resultado — demonstrando a periculosidade deles — foi insuficiente para convencer os juízes a manterem os dois criminosos presos.

Promotor de Justiça Criminal do Ministério Público de Minas Gerais, Lélio Braga Calhau
defende o exame, mas diz que há resistência por parte dos juízes e dos advogados criminalistas. “Os juízes acham que ele não é um instrumento confiável para manter ou não o sentenciado na prisão. Já os advogados têm o maior interesse em que seus clientes ganhem logo as ruas”, afirma. “Um exame benfeito aponta se o paciente é sociopata, se ele está ou não manipulando as pessoas para sair antes do fim da pena.”
Contradição
Na avaliação do advogado criminalista e professor de direito penal Raul Livino, o episódio protagonizado por Adaylton e Ademar reflete problemas estruturais da Justiça brasileira. “Como é que um sujeito é condenado ali em Goiás e o juiz do Distrito Federal não tem essa informação on-line, em tempo real? O Estado brasileiro deveria ser responsabilizado por essas tragédias”, defende.
Quanto aos laudos criminológicos, Livino diz que falta clareza aos profissionais que elaboram o documento: “O psiquiatra e o psicólogo atuam numa linha cinzenta, atrapalhando. Esse pessoal tem que ser mais claro, mais preciso. Ou o sentenciado tem condição de viver em sociedade ou não tem. Não pode haver ambiguidade”.
Livino concorda que, em casos como os de Adaylton e de Ademar — em que houve contradição entre o laudo criminológico e os relatórios —, o juiz poderia pedir um novo exame antes de decidir pela progressão do regime. “Mas o direito penal é o direito do miserável. Quem tem dinheiro escapa. O juiz está muito bem-intencionado ao conceder a progressão de regime”, acredita.
Em entrevista ao Correio em 18 de abril de 2010, Ilana Casoy, especialista em serial killers, defendeu a inclusão na legislação brasileira de um artigo específico para essa categoria de criminosos: “É preciso ter um artigo na lei para que as pessoas batam o olho e digam: ‘Esse cara é um assassino em série. É preciso reconhecer a existência dele’”.
O que diz a lei
Redução de pena
A Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984, de Execuções Penais (LEP), estabelece as regras para reduzir a pena de um condenado. Cabe ao juiz da Vara de Execução penal decidir sobre a transferência do regime mais rigoroso para o menos rigoroso, que pode ser o semiaberto, a prisão domiciliar ou o aberto. A decisão do juiz de reduzir a pena precisa ser acompanhada de manifestação do Ministério Público e da Defensoria Pública. O preso que trabalhar poderá diminuir o tempo de pena. A cada três dias trabalhados, é reduzido um dia. O juiz poderá estabelecer condições especiais para a concessão de regime aberto. Determinar horário para voltar para casa, limitar a saída da cidade à concessão de autorização judicial e comparecer à vara para prestar contas são algumas das concessões previstas em lei.
Soltura sem critérios
Promotor Criminal da 2ª Promotoria de Luziânia, Sebastião Marcos Martins diz que, pelo menos nos dois casos que ganharam repercussão na mídia — os de Ademar de Jesus Silva e Adaylton Nascimento Neiva —, havia laudo criminológico, uma exceção à regra. “Na maioria das vezes, o Estado não faz laudo nenhum. A prática é soltar sem qualquer avaliação. A execução penal não funciona. É instituição falida”, lamenta o magistrado.
Na opinião de Maria José Miranda, titular da promotoria do Júri de Brasília e da Promotoria de Execuções Penais e Medidas Alternativas, os dois casos são um reflexo da permissividade da lei penal brasileira: “Culturalmente, o nosso sistema jurídico é altamente protetor do criminoso. É garantista, minimalista, abolicionista e protecionista de criminoso. Isso se reverte em desproteção da sociedade ordeira, das pessoas de bem.”
A promotora é uma crítica ferrenha de duas alterações na legislação brasileira: a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou a Lei de Crimes Hediondos inconstitucional (leia Para saber mais) e a mudança que acabou com a obrigatoriedade do laudo criminológico para conceder a progressão de regime. “Se o Ministério da Justiça estivesse preocupado em zelar pela sociedade, teria investido na contratação de profissionais para que os exames fossem feitos dentro do prazo, sem atrasar o direito do preso e não abolir a obrigatoriedade da avaliação”, defende.
Para saber mais
Mudança legal
Depois que a Lei dos Crimes Hediondos foi considerada inconstitucional, em 2006, os condenados por assassinatos, estupros e extorsão mediante sequestro passaram a ter o direito de progressão de regime após cumprirem um sexto da pena. Ou seja, condenados a 30 anos de cadeia podem obter a liberdade depois de ficar apenas cinco anos em reclusão. Antes da decisão do STF, eles só ganhavam as ruas após 20 anos presos. Agora, vale a lei de execuções penais: basta cumprir um sexto da pena para ter direito à progressão de regime.
Para os depressivos, ver o mundo cinza é mais do que uma metáfora, diz estudo.
Os depressivos realmente veem as coisas um pouco mais escuras do que os não depressivos, de acordo com o estudo realizado por na universidade alemã de Freiburg dirigido por Ludger Tebartz van Elst e publicado na "Biological Psychiatry". De acordo com os autores, isto acontece porque os depressivos apresentam uma dificuldade em perceber contrastes entre imagens.
A retina contém fotorreceptores que transformam em impulsos elétricos enviados ao cérebro os sinais luminosos que chegam ao olho. Partindo disto, os cientistas recrutaram 40 voluntários, dentre os quais, metade tinha diagnóstico de depressão e metade não tinha, e metiram a quantidade de respostas elétricas a retina deles emitia.
"Os participantes permaneceram sentados em um quarto escurecido enquanto olhavam para uma tela que mostrava um padrão xadrez em preto e branco. O padrão ficava cada vez mais cinza em seis estágios distintos, reduzindo o contraste entre os quadrados pretos e os quadrados brancos." (sic)
Nos participantes com diagnóstico de depressão, os sinais elétricos para o nervo óptivo eram menores. No momento em que estes participantes viam a tela no primeiro estágio (quadrado preto e branco), sua atividade era um terça da atividade dos participantes sem o diagnóstico. Quanto mais severa a depressão, pior era a detecção do contraste.
Para os pesquisadores envolvidos no estudo, a associação ocorre porque os mesmos neurotransmissores que regulam a atividade nervosa da visão podem também estar associados ao processamento das emoções.
Fonte: Folha UOL.
A retina contém fotorreceptores que transformam em impulsos elétricos enviados ao cérebro os sinais luminosos que chegam ao olho. Partindo disto, os cientistas recrutaram 40 voluntários, dentre os quais, metade tinha diagnóstico de depressão e metade não tinha, e metiram a quantidade de respostas elétricas a retina deles emitia.
"Os participantes permaneceram sentados em um quarto escurecido enquanto olhavam para uma tela que mostrava um padrão xadrez em preto e branco. O padrão ficava cada vez mais cinza em seis estágios distintos, reduzindo o contraste entre os quadrados pretos e os quadrados brancos." (sic)
Nos participantes com diagnóstico de depressão, os sinais elétricos para o nervo óptivo eram menores. No momento em que estes participantes viam a tela no primeiro estágio (quadrado preto e branco), sua atividade era um terça da atividade dos participantes sem o diagnóstico. Quanto mais severa a depressão, pior era a detecção do contraste.
Para os pesquisadores envolvidos no estudo, a associação ocorre porque os mesmos neurotransmissores que regulam a atividade nervosa da visão podem também estar associados ao processamento das emoções.
Fonte: Folha UOL.
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Psicopatologia Clinica
sexta-feira, 9 de julho de 2010
A causa do Alzheimer pode estar no sangue
Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria do King's College, de Londres, descobriram que as causas da doença de Alzheimer podem estar relacionadas a níveis elevados de uma proteína no sangue, é o que informa o site G1 Ciência e Saúde.
A doença, que é a mais comum forma de demência do mundo, afeta hoje aproximadamente 35 milhões de pessoas, e sua causa parece estar ligada a níveis elevados de uma proteína sanguínea chamada clusterina.
Esta, que é a mais comum forma de demência do mundo, afetando hoje aproximadamente 35 milhões de idosos, parece ser causada por níveis elevados de uma proteína chamada clusterina, a qual, segundo os pesquisadores, já se apresenta em níveis acima da média cerca de 10 anos antes dos sinais da doença se manifestarem.
Descobriram também que, quanto maior a quantidade da proteína, mais grave
se torna o transtorno.
Fonte: G1 Ciência e Saúde.
A doença, que é a mais comum forma de demência do mundo, afeta hoje aproximadamente 35 milhões de pessoas, e sua causa parece estar ligada a níveis elevados de uma proteína sanguínea chamada clusterina.
Esta, que é a mais comum forma de demência do mundo, afetando hoje aproximadamente 35 milhões de idosos, parece ser causada por níveis elevados de uma proteína chamada clusterina, a qual, segundo os pesquisadores, já se apresenta em níveis acima da média cerca de 10 anos antes dos sinais da doença se manifestarem.
Descobriram também que, quanto maior a quantidade da proteína, mais grave
se torna o transtorno.
Fonte: G1 Ciência e Saúde.
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Psicopatologia Clinica
terça-feira, 6 de abril de 2010
Psiquiatra defende que melancolia volte a ser classificada como doença
Condição é ‘grave transtorno de humor’, afirma Gordon Parker.
Abordagem errada daria margem a tratamentos ineficazes.
Do G1, em São Paulo*
A melancolia é um diagnóstico separado, uma condição que requer tratamento separado, completamente diferente da maioria dos quadros depressivos"
O psiquiatra Gordon Parker, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, defende o retorno da melancolia à classificação de “grave transtorno de humor”. Banido do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais na década de 1980, o problema é muitas vezes confundido como uma característica de uma depressão maior.
Parker está liderando um esforço internacional com mais 18 especialistas de cinco países para que a próxima edição do manual de diagnóstico seja alterada: “Acreditamos que a melancolia é um diagnóstico separado, uma condição que requer tratamento separado, completamente diferente da maioria dos quadros depressivos.”
Para o especialista, a melancolia é uma doença grave, porque está completamente alheia às circunstâncias. Seus portadores simplesmente não conseguem ter “alto astral”. Segundo os pesquisadores que defendem a retomada da melancolia como desordem mental, existem hoje muitas pessoas que recebem o tratamento errado para o problema. Segundo essa visão, tratar um paciente melancólico com psicoterapia ou aconselhamento não ajuda muito, levando a maiores taxas de suicídio.
Fonte: g1.globo.com
Abordagem errada daria margem a tratamentos ineficazes.
Do G1, em São Paulo*
A melancolia é um diagnóstico separado, uma condição que requer tratamento separado, completamente diferente da maioria dos quadros depressivos"
O psiquiatra Gordon Parker, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, defende o retorno da melancolia à classificação de “grave transtorno de humor”. Banido do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais na década de 1980, o problema é muitas vezes confundido como uma característica de uma depressão maior.
Parker está liderando um esforço internacional com mais 18 especialistas de cinco países para que a próxima edição do manual de diagnóstico seja alterada: “Acreditamos que a melancolia é um diagnóstico separado, uma condição que requer tratamento separado, completamente diferente da maioria dos quadros depressivos.”
Para o especialista, a melancolia é uma doença grave, porque está completamente alheia às circunstâncias. Seus portadores simplesmente não conseguem ter “alto astral”. Segundo os pesquisadores que defendem a retomada da melancolia como desordem mental, existem hoje muitas pessoas que recebem o tratamento errado para o problema. Segundo essa visão, tratar um paciente melancólico com psicoterapia ou aconselhamento não ajuda muito, levando a maiores taxas de suicídio.
Fonte: g1.globo.com
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